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'Lava Jato' espanhola condena à prisão líderes de esquema de corrupção

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Os líderes de um esquema espanhol de corrupção relacionado ao PP (Partido Popular) foram condenados nesta sexta-feira (10) a 13 anos de prisão cada um.

A decisão do Tribunal Superior de Justiça de Valência, no leste da Espanha, foi anunciada na véspera do congresso nacional da sigla, que hoje governa o país.

A notícia constrangerá ainda mais o partido, cuja imagem já foi bastante desgastada nos últimos anos.

Os 13 anos de prisão correspondem a uma acusação paralela dentro do chamado Caso Gürtel, o maior escândalo de corrupção na história moderna da Espanha.

A Promotoria pede 110 anos de prisão para Francisco Correa na ação principal, ainda em andamento. Ele foi um dos condenados a 13 anos nesta sexta-feira.

O empresário Correa é acusado de ter liderado um esquema de financiamento ilegal do PP e de cobrança de comissões em troca de contratos públicos, em um cenário semelhante àquele investigado pela Operação Lava Jato no Brasil.

Tamanho é seu papel que ele deu nome a todo o caso. "Gürtel" é o termo alemão para o espanhol "Correa".

RECURSO

As condenações desta sexta-feira estão relacionadas a um esquema de contratos ilegais do governo de Valência na Feira de Turismo no período entre 2005 e 2009.

Os 11 condenados responderam por crimes como tráfico de influência e associação ilícita pela manipulação dos resultados de concursos públicos na região.

O prazo para que eles apresentem seus recursos ao Supremo Tribunal é de cinco dias. O cumprimento de suas penas pode ser atrasado se qualquer uma das partes contestar a decisão -o que a defesa já disse que fará.

Segundo o jornal local "El País", o tribunal poderia demorar um ano para julgar os recursos, mas os condenados poderiam ser presos provisoriamente durante o período se for considerado que há risco de fuga, diante das longas sentenças recebidas.

ORGANIZAÇÃO

A decisão tomada pelo tribunal de Valência sinaliza que, para a Justiça espanhola, Correa de fato liderava uma organização criminosa.

A sentença, portanto, deve ser levada em conta durante o julgamento do restante das acusações contra o empresário e outras pessoas relacionadas ao Partido Popular.

As investigações do Caso Gürtel foram iniciadas em novembro de 2007. Dos quase 40 suspeitos, três foram tesoureiros do PP e um foi ministro da Saúde. Eles negam a participação na trama.

O Gürtel está relacionado também a outro escândalo de corrupção, chamado Caso Bárcenas, o sobrenome de um ex-tesoureiro do PP.