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ATUALIZADA - Doria restringe Carnaval de rua na praça Roosevelt, e blocos reagem

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na manhã de uma segunda-feira de Carnaval, um grupo de foliões sai da praça Roosevelt acompanhando um bloquinho de jazz repleto de crianças, clima familiar. À noite, outros carnavalescos são conduzidos à praça por um grande bloco que termina ali, onde passam a madrugada bebendo e festejando.

Nem um, nem outro. Após medidas restritivas ao Carnaval na Vila Madalena, a gestão João Doria (PSDB) quer proibir cenas assim nessa praça que fica no centro de São Paulo –atendendo a pedidos de moradores e desagradando organizadores de blocos e proprietários de bares.

Portaria publicada nesta terça (7) no "Diário Oficial" veda a concentração e a dispersão de blocos na praça Roosevelt. O local pode, no entanto, fazer parte de seu percurso.

"Compreendo a necessidade do diálogo com os blocos maiores", diz Alexandre Youssef, do gigante Acadêmicos do Baixo Augusta, cuja dispersão não acontece na praça desde 2015. "Mas não acho legal cercear a praça, palco de diversas manifestações culturais da cidade, para pequenos blocos. Vejo com receio esse regramento exagerado, um risco à espontaneidade do Carnaval."

Para Guga Berro, 34, do pequeno Unidos do Swing (bloco de jazz que reúne cerca de 500 pessoas), a medida é "drástica". "Nosso desfile apenas partia dali, começávamos a tocar e logo caminhávamos. E temos apreço pela região, repleta de manifestações artísticas de rua", diz.

"É nosso quintal", lamenta Lucas Navarro, 28, do novato As Animalias, bloco performático que discute gênero e teve sua dispersão migrada para o largo do Arouche. Para Silvio do Carmo, 49, proprietário do bar Le Kitsch, "o polo cultural" que é a praça sai perdendo. Ele reclama da provável perda de faturamento e da decisão sem diálogo, observação feita também por Edney Vassalo, 42, dono do Papo, Pinga e Petisco.

Prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak diz que tudo foi acordado com os blocos porque a dispersão na praça, "bastante residencial", "gera problemas". A presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro da Consolação e Adjacências, Marta Lilia Porta, 52, cita alguns: "ficamos sem poder usar transporte público, receber visitas, sem poder chamar os bombeiros se houver emergência –sem contar a poluição sonora". "Pensam que aqui não mora ninguém?"

MINHOCÃO E VILA MADALENA

Doria também proibiu o desfile de blocos no Minhocão, onde o tradicional Agora Vai se apresenta há 12 anos. A decisão segue recomendação do Ministério Público Estadual de barrar eventos ali por falta de segurança.

O tucano também quer conter o excesso de foliões na Vila Madalena –onde no passado megablocos como o Sargento Pimenta, agora na Barra Funda, desfilaram. A prefeitura aumentou de 8 para 23 o número de vias onde não serão permitidos os desfiles em Pinheiros. E repetiu medida da gestão Fernando Haddad (PT), proibindo blocos com mais de 20 mil pessoas.

O prefeito regional de Pinheiros, Paulo Mathias, diz: "não haverá problema nenhum se exceder". "É Carnaval, festa do povo. Não vamos sair contando pessoas." A dispersão começará às 19h; a limpeza, entre 22h e 23h.

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