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'Marias' fazem linha de frente de movimento de defesa

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CAROLINA LINHARES

VITÓRIA, ES (FOLHAPRESS) - De repente, começa uma correria de mulheres —Marias, como cada uma delas se identificou à reportagem—em frente ao Batalhão de Missões Especiais em Vitória (ES). “Vão pular o muro!”

Algumas delas correm pelo lado de fora até outro ponto do batalhão.Observam atentas a qualquer tentativa de saída dos policiais militares do prédio.

Boa parte deles, na verdade, assiste ao movimento de familiares do outro lado da rua, à paisana, para dar “segurança” ao grupo.

Na tarde desta terça-feira (7), eram cerca de 20 as mulheres, acompanhadas por quatro crianças, em frente ao portão do batalhão na capital capixaba.

Após a correria, nova confusão: um homem passa de carro, abre a porta e diz: “Gente, precisa de mulher do outro lado, entra aí”.O homem, segundo as Marias, faz parte de uma associação de militares.

As associações, responsabilizadas pela falta de policiamento em uma decisão da Justiça do Espírito Santo, afirmam não ter relação com o movimento. “Elas estão bravas com as associações porque nós negociamos com o governo, mas entendíamos o lado deles, da necessidade de ajuste”, disse o major Rogério Fernandes Lima, presidente da Associação dos Oficiais Militares do ES.

Mulheres de soldados e mesmo policiais relataram à reportagem o mesmo cenário de sucateamento da PM no Estado. Além da falta de reajuste salarial, reclamam da escassez de coletes à prova de balas, de munição e até mesmo de combustível para o patrulhamento. “A gente não tem plano de saúde, o Hospital Militar está a ponto de fechar”, disse uma delas. Na 5ª Companhia do 1º Batalhão, um policial desabafa: “Nós não temos voz, ninguém dá amparo, nem a sociedade, nem o Estado”. Na unidade, pinturas e reformas foram feitas por voluntários. “Guerreiras da PM, qual é sua missão? Defender a polícia e fechar o batalhão”, cantam as Marias

em meio a um buzinaço.

O movimento começou nosábado(4) com sete mulheres na porta de uma unidade da PM em Serra, na região metropolitana. Com o WhatsApp e outras redes sociais praticamente todas as unidades das principais cidades do Estado passaram a ter acampamentos.

As mulheres se revezam e recebem doações. Sem uma liderança clara, nenhuma delas fala em parar o movimento. “A população está sentindo o segundo dia útil sem policiamento, mas eles têm que entender que eu tenho família”, diz uma das Marias.

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