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Travesti é achada morta em Itapevi

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GUILHERME ZOCCHIO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A estudante de artes Ágatha Mont foi enterrada nesta terça-feira (7) pelos familiares, em Itapevi (região metropolitana de SP), após ser encontrada morta, deixada como indigente no IML (Instituto Médico Legal) de Osasco. Ela estava desaparecida desde o último final de semana.

Familiares suspeitam que a jovem tenha sido vítima de latrocínio e de crime de ódio. Mont, que tinha 26 anos, era travesti. Segundo o irmão, Arthur Rodrigues Silva Neto, ela era constantemente alvo de xingamentos na rua da sua casa e também na faculdade onde estudava, na FMU, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

"Ninguém sabia onde estava. Passou sábado, domingo e ela não voltava. Ficamos preocupados", disse Rodrigues por telefone. Mont saiu de casa sozinha na sexta-feira (4) à noite e desde então não deu mais notícias.

A família só soube do paradeiro dela na segunda-feira (6), após tomar notícia que uma travesti foi encontrada morta no bairro Jardim Rosimery, em Itapevi.

Depois de receber uma chamada durante a ronda noturna, os guardas civis metropolitanos do município da grande SP Fábio Morschbacher e Jean Ricardo encontraram o corpo da jovem jogado no chão, sem roupas, apenas com um vestido enrolado no pescoço.

A reportagem teve acesso às fotos que os agentes de segurança fizeram no momento em que chegaram ao local. A jovem não só foi deixada nua, como estava sem nenhum dos pertences. Além disso, o corpo continha marcas de hematomas.

"Soubemos que havia uma mulher caída ao solo, fomos verificar e então chamamos o Samu, que constatou o óbito", afirmou Morschbacher.

O corpo da estudante então foi encaminhado ao IML de Osasco, onde ela estava como indigente, já que os familiares não sabiam do seu paradeiro e não podiam dar queixa. Caso eles não a identificassem a tempo, Mont poderia ser enterrada à revelia.

Na declaração de óbito expedida pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Itapevi, a causa da morte da jovem é descrita como "infarto do miocárdio [coração]". Os familiares, entretanto, acreditam que ela pode ter sido vítima de violência.

"Não sei se foi sexual, mas havia marcas de chutes e de soco no corpo. E ela estava sem documento nenhum, não pode ter sido infarto", disse o irmão Rodrigues.

A reportagem tentou contato com o IML de Osasco para saber mais informações sobre o exame de corpo de delito, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. Procurado, o delegado responsável pela investigação do caso não foi encontrado.