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Pressa de Trump pode complicar sua relação com o Congresso

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GIULIANA VALLONE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em um ponto é possível afirmar que o novo presidente dos EUA, Donald Trump, e o Congresso norte-americano concordam: ambos estão dispostos a desmontar o legado de Barack Obama.

Além de eleger Trump, o Partido Republicano também conseguiu maioria na Câmara e no Senado nas eleições de novembro passado, garantindo ao presidente apoio em sua saga contra o Obamacare -que buscou garantir acesso a planos de saúde para todos- e outras ações do antecessor.

A agenda comum, que inclui também uma reforma do sistema tributário, é um dos pontos favoráveis na relação entre Executivo e Legislativo, que terá como mediador o vice-presidente, Mike Pence. Com 12 anos de experiência como congressista, ele é visto como um eficiente e afável comunicador, um contraponto à personalidade do novo mandatário.

Trump também contará com alguns aliados no Congresso, como o presidente da Câmara, Paul Ryan, com quem o presidente, entre idas e vindas, construiu uma boa relação. Nesta quinta (19), em evento com líderes do seu partido, ele afirmou, sobre Ryan: "Estou começando a realmente amar o Paul".

Seu antigo rival de campanha, o senador Ted Cruz (Texas) promete ainda apoio ao novo governo. Em entrevista nesta sexta, afirmou que o Senado deve confirmar todos os indicados por Trump para compor a nova administração, apesar da reação negativa de parte dos membros da Casa aos nomes.

"Acredito que teremos um dos mais produtivos Congressos em décadas. Vamos começar confirmando cada uma das nomeações do presidente Trump", afirmou, ressaltando que, em seguida, o foco do Legislativo se voltaria ao fim do Obamacare.

A personalidade inconstante do novo presidente e sua pressa em apresentar resultados, entretanto, podem azedar sua relação com os congressistas.

Os atritos já começaram. O Congresso começou o novo mandato, em 3 de janeiro, tentando revogar a vigência da Comissão de Ética, que apura denúncias contra parlamentares. Os políticos consideram o órgão invasivo.

Ao perceber a manobra, Trump se manifestou. "Com tudo o que o Congresso tem para resolver, deveriam mesmo fazer do enfraquecimento desse órgão ético e de fiscalização, por mais injusto que seja, seu primeiro ato e sua prioridade?"

E sugeriu: "Concentrem-se na reforma tributária, no sistema público de saúde e em muitas outras coisas que são mais importantes!".

Ele também já criticou uma proposta de mudança do sistema tributário apoiada pela maior parte dos republicano, que classificou como "complicada demais".

COBRANÇAS

Em entrevista ao jornal "The Washington Post", Trump ainda cobrou rapidez do Legislativo em entrevista. "O Congresso não pode recuar porque o povo não vai deixar isso acontecer", afirmou.

Seguindo essa linha, e embora o Congresso já tenha dado início ao desmonte da reforma do sistema de saúde promovida por Obama, Trump fez questão de dizer, antes mesmo de assumir, que a derrubada deveria ser imediata, pressionado seus correligionários.

Mas a maioria dos parlamentares tem outros planos: quer uma análise minuciosa da reforma, que poderia levar até três anos para acontecer.

Para analistas, o novo presidente terá de melhorar seus próprios números antes de cobrar mais ação do Congresso. Ele assumiu com rejeição de 52% da população americana, contra aprovação de 79% de Obama em seu primeiro mandato.

Em um cenário em que os parlamentares não sentem a pressão popular para apoiarem as medidas do presidente, as coisas podem se complicar rapidamente para Trump.

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