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Líder socialista espanhol renuncia após derrotas eleitorais

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Castigado pelo desempenho ruim nas urnas e por disputas internas, Pedro Sánchez renunciou neste sábado (1º) ao cargo de secretário-geral do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol).

A sigla deve ser liderada por um comitê gestor. É possível que a crise rompa o impasse político no país e leve à formação do próximo governo, aguardado desde dezembro.

Sánchez era secretário-geral do PSOE desde 2014. Ele esteve por trás do partido nos últimos dois pleitos, nos quais teve um desempenho historicamente ruim. O PSOE perdeu espaço também em eleições regionais recentes na Galícia e no País Basco.

O conservador Partido Popular venceu os pleitos de dezembro e de junho, mas sem reunir os assentos necessários para governar.

O PSOE se negou a permitir o governo do rival por meio de sua abstenção no Congresso. Por isso, recebeu parte da culpa pelo impasse.

Sánchez havia anunciado planos de convocar um congresso para reeleger-se com o voto dos militantes, em uma tentativa de se fortalecer. Seus rivais dentro do partido não aceitaram a proposta e, em um claro desafio, 17 membros da diretoria renunciaram durante a semana.

O comitê do PSOE reuniu-se neste sábado e rejeitou, com a maioria dos votos, a realização do congresso. Sánchez renunciou imediatamente após o anúncio de sua derrota dizendo ter sido uma "honra" liderar o partido.

A decisão causou tensão diante da sede do PSOE, em Madri, com gritos de militantes em seu apoio. Sánchez era popular entre a base do partido, e sua saída será danosa à imagem da sigla.

Espera-se que, com uma nova liderança, o PSOE reveja sua posição e permita um governo do PP. Assim, com a abstenção dos socialistas no Congresso, o atual premiê Mariano Rajoy poderia ser reeleito para o cargo.

A Espanha tem há nove meses um "governo em exercício, com funções limitadas. Não é possível, por exemplo, aprovar o orçamento do ano que vem. O investimento público também está paralisado. Há crescente preocupação com a perspectiva de um pleito em dezembro, o terceiro em um ano.