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Corregedoria investiga morte de filho de sem-teto cometida por PM

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LEANDRO MACHADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) abriu inquérito para investigar o caso de um garoto que foi morto pela Polícia Militar na noite desta quarta-feira (3).
A PM também instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da ocorrência, que será acompanhado pela Corregedoria.
Norton do Carmo Souza, 18, morto com dois tiros, era filho de um militante sem-teto da zona sul da capital paulista.
A Ouvidoria da Polícia de São Paulo havia pedido que o Ministério Público investigasse a morte.
Por volta das 22h30 desta quarta, o garoto estava com dois amigos em um carro, na Estrada de Itapecerica, no Capão Redondo. Uma unidade da Força Tática se aproximou do veículo.
Os garotos tentaram fugir, segundo o pai do garoto, o militante Gilmar Antonio de Souza, 52. "Eles ficaram com medo da polícia", disse.
Na rua Januário da Cunha Barbosa, o garoto foi retirado do veículo, segundo a família. Um dos amigos conseguiu fugir. O outro foi detido pelos policiais e, depois, solto.
O pai do garoto afirmou ter ouvido o relato de testemunhas.
"Levaram o meu filho para uma viela e o mataram. Ele não tinha armas, nunca fez nada. Criei meu filho para a polícia matar", diz Gilmar.
No Boletim de Ocorrência, os policiais relataram que os garotos atiraram na viatura e que houve confronto. Nenhum policial ficou ferido.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública disse que "a Polícia Militar instaurou Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias da ocorrência" e que "a Corregedoria da PM acompanha as investigações".
O comunicado também afirma que "apreendidas as armas dos policiais que participaram da ação e a arma do suspeito baleado".
O ouvidor das Polícia, Julio Cesar Fernandes Neves, autor do pedido de investigação à Corregedoria e ao Ministério Público, afirmou que o caso "é suspeito".
"Ficamos surpresos pelo fato do pai do garoto ser militante do [movimento] sem-teto, atuante na área da zona sul. Nós queremos que o Ministério Público entre nessa história", afirmou o ouvidor.