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Justiça de SP aceita denúncia contra auditores suspeitos na 'máfia do ICMS'

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ROGÉRIO PAGNAN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo aceitou denúncia contra três auditores da Secretaria Estadual da Fazenda sob a suspeita de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro no suposto esquema de propinas na chamada "máfia do ICMS".
A decisão da 24ª Criminal da Capital, revelada pelo jornal "O Estado de S.Paulo", prevê o sequestro dos bens dos investigados que, em sua maioria, estão registrados em nome de empresas que o Ministério Público afirma terem sido criadas para lavagem de dinheiro da quadrilha.
No total, oito pessoas se tornaram réus nesta ação, já que a denúncia inclui parentes dos servidores que figuram como sócios das empresas suspeitas. Dois dos fiscais estão afastados e um deles se aposentou durante a investigação iniciada em 2013.
Estão na lista da denúncia feita por promotores do Gedec (grupo especializado em lavagem de dinheiro) os servidores Mauricio Dias, Luciano Francisco Reis e Miguel Conrado Piñero Valle suspeito de cobrar propina para redução de recursos de imposto do comércio de soja, no interior paulista.
Os novos acusados também poderão responder ao processo em liberdade, desde que paguem uma fiança de R$ 150 mil.
A Folha de S.Paulo não conseguiu contato com seus defensores.
O suposto esquema na Fazenda estadual do governo Geraldo Alckmin (PSDB) veio à tona em maio 2013 com a chamada operação Yellow, deflagrada pelo Gedec em conjunto com a Corregedoria ­Geral da Administração do Estado.
Em novembro, a Folha havia revelado que ao menos 11 fiscais de São Paulo estavam na mira da Promotoria sob a suspeita de participação de esquemas. Ao menos quatro grupos criminosos são investigados pelos promotores.
Ao menos outros dois fiscais do governo paulista já são réus na Justiça sob a suspeita de esquema de propina para redução de valores de imposto. Eles chegaram a ficar presos no final do passado, mas foram liberados após o pagamento de fiança de R$ 350 mil.