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Trump vencerá eleição com poder da hipnose, diz criador do Dilbert

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MARCELO NINIO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Contrariando as análises correntes, um observador da corrida presidencial americana com olhar bem peculiar concluiu há tempos que Donald Trump vencerá facilmente as eleições presidenciais de novembro.
Criador da popular tira cômica Dilbert, o americano Scott Adams fez a previsão em agosto, quando quase ninguém levava a sério a candidatura de Trump à Casa Branca.
O segredo do sucesso, segundo Adams, está no talento de vendedor: o bilionário é mestre em usar técnicas de persuasão e hipnose para conquistar o público, aperfeiçoadas por um talento natural e anos de treino como empresário.
Ele próprio um hipnotista e há anos estudioso das técnicas de persuasão, Adams explica como funcionam várias dessas técnicas em seu blog.
Elas viraram quase uma obsessão para o cartunista e escritor, que desde a primeira previsão já publicou mais de 70 textos em seu blog, destrinchando o método Trump.
Uma das artimanhas centrais de Trump está na escolha das palavras, diz Adams, para dar "tiros mortais".
Frases curtas, quase sempre terminadas com termos fortes, para reforçar a mensagem. Os tiros mortais já contribuíram para derrubar alguns rivais, o mais notório deles Jeb Bush, chamado repetidamente por Trump de "baixa energia".
O emprego intencional de expressões estranhas ao vocabulário convencional da política ajuda a fixar a mensagem de Trump e enfraquecer os adversários, explica Adams.
"Nenhum candidato é capaz de se recuperar do rótulo de baixa energia. Trump acabou com Bush com duas palavras", diz o cartunista.
Adams trabalhou 16 anos em uma empresa de telefonia, onde absorveu muito da inspiração para criar as tirinhas do Dilbert, uma sátira aos absurdos cotidianos do universo corporativo.
Publicadas em mais de mil jornais pelo mundo, elas tornaram Dilbert um herói dos trabalhadores de escritório.
Sua convicção de que o bilionário vencerá cresceu com os últimos êxitos. Trump venceu três das quatro prévias republicanas, a mais recente em Nevada, com 46% dos votos.
"Dobro a minha aposta que Trump vencerá tudo (e por uma grande margem na eleição geral) e que a explicação da mídia para o que aconteceu irá de um absurdo a outro, porque a maioria dos jornalistas e especialistas não são treinados para ver debaixo do capuz", escreveu Adams no blog.
O "capuz" é como Adams chama os métodos de persuasão de Trump.
Por exemplo, quando propõe medidas extremas, como a expulsão de 11 milhões de imigrantes ilegais ou a construção de um muro na fronteira com o México, ele domina o debate imprimindo imagens poderosas na mente dos eleitores preocupados com a segurança, mesmo que os planos não sejam viáveis.
É uma das mais básicas técnicas de negociação, fazer uma oferta inicial muito alta (ou baixa) para criar espaço para manobra.
"Palhaço genial", "mago mestre", "manipulador de marionetes", nesses termos Adams descreve Trump em seu blog, oscilando entre o medo de que ele chegue à Presidência e um indisfarçável fascínio pelo talento do magnata em hipnotizar o público.
"Ninguém na campanha se compara a ele em persuasão", diz Adams. "Sua linguagem de aluno da quarta série é parte disso. Como regra geral, o discurso mais simples é mais persuasivo. Trump é simples. Intencionalmente."