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Zika pode chegar às grandes cidades, diz diretor do Ministério da Saúde

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FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Regiões populosas do país -como os Estados do Sudeste- ainda não registraram presença expressiva do vírus da zika, por isso, é possível que "algumas das grandes cidades [do país] sejam infectadas".
A avaliação é do diretor do departamento de vigilância de doenças transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovich, ao comentar declaração da diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Chan, de que o surto de zika e microcefalia no país "pode piorar antes de melhorar".
"Não temos a dimensão exata de qual foi a circulação do zika", afirmou o diretor nesta quinta-feira (25). Na semana passada, o governo federal tornou compulsória a notificação de casos suspeitos da doença, o que não era feito até então. A transmissão se dá pelo mosquito Aedes aegypti.
"A maior parte da população brasileira está na região Sudeste. Essa população é suscetível, nunca foi exposta ao vírus", explicou. Ele ponderou, entretanto, que "não é improvável" que tenha havido circulação maior do zika na região, mas não registrada. A maior preocupação, aponta, é com a cidade do Rio de Janeiro, que sediará os Jogos Olímpicos em agosto.
A exemplo de Chan, ele também tem uma avaliação positiva, diante da perspectiva de redução de doenças transmitidas pelo mosquito nessa época do ano.
MARÇO
O diretor afirmou que, durante a visita, não houve pedidos à OMS por recursos para estudos sobre o zika. Ele disse ainda que a entidade e o Brasil têm visão semelhante sobre a relação entre o zika e casos de microcefalia em recém-nascidos.
"A compreensão que nós, Ministério da Saúde e a compreensão que a OMS tem em relação ao que está acontecendo é a mesma. O nível de dúvida que ela [Margaret Chan] tem sobre isso é baixíssimo.
Para Maierovich, a expectativa agora é de que a partir de março seja possível notar a redução de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti,alvo de campanha nacional pelo governo federal.
SENADO
Na manhã de hoje, o ministro Marcelo Castro (Saúde) participa de sessão no Senado Federal para debater as dimensões da epidemia de zika no país. Em sua fala inicial, ele defendeu que o governo, "desde o início, está tratando com responsabilidade e urgências necessárias" o assunto, e afirmou que não haverá falta de recursos para medidas de combate ao mosquito.
Ele reconheceu que a dengue no país, cujo vetor também é o Aedes aegypti, tem transmissão de forma continuada no Brasil desde 1986. A necessidade de melhorias no saneamento básico foi justamente um dos fatores apontados por senadores presentes.
"A falta de saneamento e de tratamento de esgoto persiste em milhares de cidades brasileiras", disse o presidente da Casa, Renan Calheiros.