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Em tom elogioso, diretora da OMS diz que Brasil faz "o que pode" contra zika

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FLÁVIA FOREQUE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Diante da epidemia de zika no país - e do aumento de casos de microcefalia - a diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Chan, elogiou as ações adotadas pela presidente Dilma Rousseff no combate ao mosquito Aedes Aegypti.
De passagem pelo Brasil a convite do governo, Chan afirmou estar "muito impressionada" com a mobilização do Palácio do Planalto, elogiou a "transparência" do Brasil em compartilhar informações sobre a doença com a entidade e minimizou o impacto da doença na realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em agosto.
"Eu gostaria de reassegurar a vocês: estamos em fevereiro, e os Jogos Olímpicos são em agosto. O governo está trabalhando () para garantir que as pessoas que venham para os jogos como visitante, participante ou atletas tenham a máxima proteção que precisam [contra a doença]. Eu estou confiante de que o governo fará isso", disse em declaração à imprensa.
Chan ponderou que, a partir da experiência com doenças como dengue e chikungunya, deve-se prever um aumento de casos de zika no país. "Devemos esperar que isso seja uma longa jornada, mas a liderança e o compromisso do governo da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Saúde são louváveis. Estamos aqui para apoiá-los, de forma a embarcar nessa jornada juntos".
"EMPOWER WOMEN"
Em sua fala, Chan ponderou que a imprensa tem um papel crucial em informar o público, especialmente feminino, sobre a doença. "Vocês têm um papel essencial de levar informação à população, para que a população, em particular as mulheres, sejam empoderadas a tomar as decisões certas", afirmou.
No início do mês, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos defendeu, diante da epidemia de zika na região, que os chamados direitos reprodutivos da mulher sejam garantidos, incluindo a descriminalização do aborto.
As declarações de Chan ocorreram após longo encontro com a presidente Dilma no Palácio do Planalto. Depois da agenda, ela visitou o Cenad (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres), na companhia de ministros do governo.
Sem espaço para questionamentos da imprensa, Chan elogiou a postura da presidente Dilma diante do tema: "Eu nunca vi uma mobilização tão grande como essa por um presidente de um país. Em termos de escala, compreensão e coragem de lidar com um desafio tao difícil".
A diretora-geral da OMS ponderou em seguida: "Entendo a preocupação e ansiedade da população brasileira, mas é importante notar que isso pode se tornar uma oportunidade de mostrar o que o Brasil pode fazer. Sim, o mosquito é um grande inimigo, mas quando o governo e toda a comunidade estão unidas, o governo é sempre maior, e esse desafio pode ser superado."