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Governo sírio e oposição aceitam cessar-fogo a partir de sábado

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo sírio e o Alto Comitê de Negociação, que representa grupos de oposição no país, aceitaram o cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos e pela Rússia. O anúncio veio depois de Washington e Moscou marcarem uma nova tentativa de trégua para o sábado (27).
Em comunicado divulgado nesta terça (23), o governo sírio disse aceitar "uma interrupção das operações de combate com base na continuidade dos esforços militares para combater o terrorismo contra o Estado Islâmico (EI), a Frente al-Nusra, e as outras organizações terroristas ligadas a eles e à organização Al Qaeda, de acordo com o anúncio russo-americano".
O regime de Bashar al-Assad disse que trabalhará com a Rússia para decidir quais grupos e áreas devem ser incluídos no plano de "cessação das hostilidades".
Na nota, o governo sírio destacou a importância de se fechar as fronteiras e do fim de apoio estrangeiro a grupos armados, além de "impedir que essas organizações fortaleçam suas capacidades ou mudem suas posições, de forma a evitar algo que possa levar a destruir esse acordo".
O comunicado acrescenta que a Síria se reserva ao direito de "responder a qualquer violação por parte desses grupos contra cidadãos sírios ou contra suas Forças Armadas".
O Alto Comitê de Negociação (HNC, na sigla em inglês), por sua vez, disse que a aceitação da trégua está "condicionada" ao fim do cerco do governo a 18 áreas rebeldes e dos bombardeios aéreos e de artilharia e à libertação de presos.
A tentativa de cessar-fogo entre governo e insurgentes foi anunciada no domingo (21) pelo secretário de Estado americano, John Kerry, e recebida com ceticismo por moradores da capital síria.
Atentados reivindicados pelo Estado Islâmico mataram 146 pessoas no subúrbio de Damasco e na cidade de Homs, neste domingo.
Uma outra trégua havia sido marcada para a última sexta-feira (19), segundo acordo estabelecido no início do mês pelos Estados Unidos, Rússia e outros 15 países.
ELEIÇÃO
Na segunda (22), horas depois do acordo fechado entre americanos e russos, o ditador Bashar al-Assad anunciou eleições parlamentares para o dia 13 de abril.
Eleições deste tipo ocorrem a cada quatro anos no país. A última foi em 2012, e esses mandatos terminam no próximo mês de maio.
O desenho de uma nova Constituição para o país e a realização de eleições livres foram incluídos em uma resolução adotada pelo Conselho de Segurança da ONU, em dezembro passado, que endossava uma transição política na Síria na qual o povo sírio decidiria o futuro do país