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Decisão de Apple sobre iPhone de terrorista é marketing, dizem EUA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Departamento de Justiça pediu nesta sexta-feira (19) que um juiz ordene que a Apple informe imediatamente as ferramentas técnicas para acessar as informações do iPhone de um dos autores do ataque de San Bernardino, na Califórnia.
Para o órgão, a recusa da Apple em ajudar o FBI (polícia federal americana) a obter os dados do telefone parece, em vez de uma preocupação legal, mais "uma questão com seu modelo de negócio e sua estratégia de marketing".
Em documentos enviados à Justiça, promotores pediram a um juiz federal que reforce uma ordem prévia de requerer que a Apple ofereça ao governo as ferramentas para extrair dados do iPhone 5c.
O governo tenta acessar o telefone usado por Syed Rizwan Farook, um dos terroristas responsáveis pelo ataque, que deixou 14 mortos.
"Em vez de ajudar nos esforços de investigar completamente um ataque terrorista obedecendo a ordem judicial de 16 de fevereiro de 2016", disseram os promotores no documento, "a Apple respondeu repudiando publicamente a ordem".
O FBI quer que a Apple crie um software para contornar o sistema de segurança do iPhone e evitar que o aparelho deflagre seu atual sistema de "apagamento automático".
O recurso destrói todos os dados inseridos no aparelho caso haja dez tentativas seguidas de acesso usando senhas incorretas.
Mas a empresa reagiu contra a decisão e disse que apelará em uma instância mais alta -o que pode levar o caso à Suprema Corte.
Na quarta-feira (17), Tim Cook, o presidente-executivo da Apple, declarou em carta aos clientes postada no site da empresa que se sente "na obrigação de falar" diante do que vê como "abuso de poder da parte do governo dos EUA".
No texto, Cook define as implicações do caso como "assustadoras".
A disputa entre o governo Obama e a companhia do Vale do Silício desatou um debate sobre privacidade e segurança.
De um lado, os defensores da privacidade não querem abrir caminho para esforços do governo de prejudicar a criptografia, enquanto autoridades policiais argumentam que vidas podem estar em jogo se o iPhone do atirador não for acessado.
Está prevista para a próxima segunda-feira (22) uma audiência sobre o caso na Califórnia, de acordo com Thom Mrozek, porta-voz de um órgão judicial da Califórnia.