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Direção de escola cobra estudantes por danos em unidade ocupada em SP

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FELIPE SOUZA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Secretaria de Estado da Educação convocou um grupo de estudantes, pais e funcionários da escola estadual Caetano de Campos para cobrar danos causados ao colégio durante a ocupação da unidade por estudantes contra a reorganização escolar.
Em novembro de 2015, cerca de cem estudantes ocuparam o colégio em protesto contra a reorganização escolar e fechamento de 92 escolas anunciados pela gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Eles ocuparam a escola, localizada na Consolação, no centro de São Paulo, até o mês de dezembro, quando Alckmin recuou e desistiu do plano após ser pressionado por uma série de manifestações.
A Secretaria da Educação informou que o prejuízo causado no Caetano de Campos é de cerca de R$ 13 mil. O valor é referente a depredações que ocorreram no prédio, o furto de uma televisão e a perda de 200 quilos de merenda, principalmente carne, que estragaram após o freezer da escola ter sido desligado.
Na tarde desta segunda-feira (18), estudantes, pais, um zelador e membros da direção do colégio se reuniram para discutir as responsabilidades pelos danos. O estudante e presidente do grêmio estudantil do colégio, Lucas Prata Penteado, participou da reunião e negou que os furtos ou prejuízos na escola foram causados pelos estudantes. Ele foi convocado por ter entregue as chaves da escola no momento da desocupação.
O governo diz que objetos avaliados em R$ 15 mil também sumiram durante a ocupação do colégio Fernão Dias Paes, localizado em Pinheiros, na zona oeste da capital. A unidade ficou ocupada por alunos durante 55 dias. Os estudantes negam ter levado objetos.
Segundo o governo, um notebook, uma televisão, um projetor de imagens, três microscópios e uma luneta desapareceram. Outra TV e uma impressora foram encontrados em mau estado. Um balanço da Secretaria da Educação estadual aponta que o prejuízo causado pelos estudantes durante as ocupações é de mais de R$ 2 milhões em 115 prédios de todo o Estado.
Para o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador estadual do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, essa é uma tentativa do governo de criminalizar os alunos. "Espero que não usem esses processos administrativos para promoverem perseguições políticas contra os estudantes que lideraram ou participaram de ocupações", afirmou.
PROTESTOS
O movimento de ocupação surgiu como protesto contra a medida da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) que fecharia 92 unidades de ensino e transferiria 311 mil alunos. Segundo o governo, há escolas ociosas, com menos alunos do que sua capacidade.
As ocupações e protestos nas ruas fizeram com que Alckmin suspendesse a mudança, o que resultou também na saída do então secretário de Educação Herman Voorwald. Alunos de escolas ocupadas passaram o Natal e o Ano-Novo nas unidades.

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