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Após fuga, Macri acusa kirchnerismo de ser cúmplice do tráfico de drogas

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MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A suspeita fuga de três envolvidos com o tráfico de drogas levou o governo do novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, a denunciar o que classificou de "cumplicidade" do kirchnerismo com criminosos.
"Por inação, incapacidade ou cumplicidade do governo anterior, o narcotráfico avançou na última década como nunca em nosso país", discursou o presidente nesta segunda (4).
A governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal -que pertence ao mesmo partido de Macri-, acusa funcionários e aliados do governo de Cristina Kirchner de darem suporte e proteção aos fugitivos.
Condenados por um assassinato triplo em 2008, os irmãos Martín e Cristin Lanatta e Victor Schillaci fugiram há pouco mais de uma semana de uma penitenciária que fica na província.
A fuga ocorreu já na gestão de Vidal, e os condenados não enfrentaram resistência, donde se presume que a saída foi facilitada, com o intuito de sabotar o novo governo.
Os três fazem parte de uma quadrilha de traficantes de efedrina, matéria-prima para drogas sintéticas.
Durante a campanha eleitoral, Martín Lanatta -ainda preso àquele momento- acusou o então chefe de gabinete de Cristina, Aníbal Fernández, de ser o mandante do assassinato. Fernández, segundo o condenado, também seria um dos líderes da quadrilha da efedrina.
O suposto envolvimento com traficantes feriu a imagem do político, que acabou perdendo a eleição de governador para Vidal.
O novo governo acusa Fernández de estar por trás da fuga, assim como funcionários alinhados à antiga gestão.
"[Aníbal Fernández] está envolvido com tudo o que ocorre no submundo de Quilmes", disse o secretário de segurança, Cristian Ritondo, fazendo referência à cidade natal dos fugitivos e do próprio Fernández.
Desde o último fim de semana, a governadora dissolveu a chefia de polícia de Quilmes e afastou o comandante de investigações da província, ambos identificados com o peronismo. Antes, já havia removido a cúpula do sistema penitenciário.
A desconfiança de sabotagem a levou ainda a pedir o reforço da polícia federal e da guarda nacional. Mas até agora o novo governo só fez três prisões.
Um deles, detido na noite de domingo, é Marcelo Mallo, um líder de torcidas organizadas ligado ao peronismo e ao governo kirchnerista.
Fernández admitiu que Mallo trabalhou em sua campanha em 1991, mas os jornais argentinos citam casos mais recentes que comprovariam sua relação.
Militante da agrupação Compromisso K (de kirchnerista), Mallo também atuaria como "puntero" do peronismo em Quilmes -uma espécie de despachante, que facilita o acesso das pessoas a benefícios sociais em troca de uma comissão, e é encarregado de "encher" manifestações de políticos amigos.
Mallo teria ainda recebido ainda ajuda do governo kirchnerista para enviar dezenas torcedores à Copa da África do Sul, em 2010, quando dirigia a ONG Hinchadas Unidas Argentinas (Torcidas Unidas Argentinas, em português).
O militante foi preso porque a polícia encontrou armas de grosso calibre em sua casa, quando buscava por pistas dos fugitivos. A filha dele também foi detida.
Enquanto os três criminosos não são encontrados, a batalha verbal entre kirchneristas e macristas sobe o tom.
Para se defender, Fernández desafiou o atual secretário de segurança para um exame de rinoscopia, para verificar se um ou outro usam cocaína.

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