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'O que posso fazer?', rebate Trump após aparecer em vídeo de grupo terrorista

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pré-candidato republicano à Presidência dos EUA Donald Trump se recusou a retirar as declarações que fez em dezembro passado e que acabaram como "evidência" do preconceito americano aos muçulmanos em um vídeo de recrutamento de um grupo radical islâmico.
"Tenho que dizer o que tenho que dizer", afirmou o empresário milionário neste domingo (3), em entrevista ao canal americano CBS.
O vídeo de 51 minutos do grupo somali Al Shabaab mostra as declarações feitas em dezembro por Trump, quando pediu que os EUA barrassem a entrada de todos os muçulmanos no país, ao som de aplausos de seus apoiadores.
A declaração do republicano foi feita em 7 de dezembro passado, após a morte de 14 pessoas no ataque a um centro comunitário em San Bernardino, na Califórnia, atribuído a um casal de muçulmanos radicalizados.
"O que vou fazer?", perguntou Trump. "Tenho que dizer o que tenho que dizer. E você sabe o que tenho que dizer? Temos um problema. Temos que descobrir qual é esse problema e temos que resolver esse problema", continuou o pré-candidato, em aparente referência à presença de muçulmanos nos EUA.
O republicano disse ainda que suas declarações tiveram grande apoio e que, após os atentados de 13 de novembro em Paris, várias nações começaram a fechar fronteiras."Pode ser que não seja politicamente correto, mas lá há um grande problema."
As declarações de Trump contra a entrada de muçulmanos no país causaram uma onda de críticas de todo o mundo. Elas incluíram Hillary Clinton, pré-candidata democrata que, durante um debate em dezembro, afirmou que o republicano era o melhor recrutador do Estado Islâmico e que seus militantes usavam as imagens dele insultando os muçulmanos para recrutar.
Trump acusou Hillary de mentir sobre os vídeos e, neste domingo, aproveitou o caso do Shabaab para voltar a criticá-la. "Não foi o EI e não foi feito naquela época [da acusação de Hillary]. Ela mentiu."
O empresário disse ainda não estar surpreso que extremistas tentem capitalizar em cima das declarações do pré-candidato republicano com mais apoio nas pesquisas de intenção de voto.
Al Shabaab luta para derrubar o governo somali e instaurar um governo baseado na lei islâmica, a sharia. Em 2006, seus militantes chegaram a controlar por seis meses o centro e o sul da Somália, incluindo a capital Mogadício. Atualmente, controlam vastas áreas rurais do país.
O grupo tem relações com a rede terrorista Al Qaeda e foi responsável por ataques também no Quênia e na Etiópia.

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