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Greve de aeroviários deixa passageiros presos na Patagônia chilena

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MAGÊ FLORES, ENVIADA ESPECIAL*
AYSÉN, CHILE (FOLHAPRESS) - Chega ao quarto dia, neste domingo (20), a greve que fechou aeroportos em todo o Chile.
A paralisação, que começou na quinta-feira (17) com data para terminar -seriam 48 horas-, foi estendida pelos funcionários aeronáuticos por tempo indeterminado.
Com isso, o trânsito aéreo está interrompido em varias regiões chilenas, algumas delas remotas, como a Patagônia, de onde é difícil partir por terra.
Não é costume entre brasileiros visitar o norte da Patagônia, de lagoas, cachoeiras, algumas geleiras, muitos bosques e campos.
A reportagem -que chegou à região no último dia 10- não avistou nenhum conterrâneo. Os chilenos de outras partes do mapa são os mais vistos na pouco conhecida região de Aysén.
Mas, desde o início da greve, eles não chegam mais (ninguém chega).
E o hotel Loberías del Sur, em Puerto Chacabuco (a 80 km de Coyhaique, a principal cidade da região), por exemplo, está cada vez mais vazio.
Isso porque, mesmo com a dificuldade em viajar por estrada rumo ao norte, alguns turistas insistem em fazer o trajeto, que até Santiago (1.700 km) pode durar dois dias.
Não há curtas distâncias nesta região. A farmácia mais próxima ao hotel fica a 15 km. O aeroporto mais próximo (Balmaceda), a 140 km.
Irônico que, em poucos dias, o maior encanto da Patagônia -a paisagem pouco explorada, devido à dificuldade de acesso- acabou tornando-se o maior problema para seus turistas.
As informações também não chegam com agilidade e costumam vir em prestações.
Uma turista contou que seu voo estava marcado para este domingo e que alguém da companhia lhe informou que, se a greve fosse cancelada na segunda-feira (21), ela só partiria para Santiago no dia 26. Alugou então uma caminhonete e seguirá por terra com a família.
O voo da reportagem, que sairia na quinta-feira (17), primeiro dia de greve, chegou a ser remarcado para sábado (19), e foi cancelado no mesmo dia. Agora, não há previsão de partida.
Segundo o jornal chileno "El Mercúrio", 354 voos foram suspensos e 47 mil passageiros já foram afetados.
12 AEROPORTOS
A LAN, principal companhia aérea do país, informou em seu site que, por conta da greve, "se vê na obrigação de continuar sem operações em 12 aeroportos, voando parcialmente nos outros terminais do país".
Estão interrompidas as operações em Arica, Copiapó, La Serena, Concepción, Osorno, Valdivia, Chiloé, Ilha de Páscoa, Iquique, Antofagasta, Puerto Montt e Balmaceda.
Segundo a companhia chilena, os voos internacionais foram mantidos, "ainda que apresentem atraso". A companhia recomenda que passageiros estejam no aeroporto com quatro horas de antecedência.
Os trabalhadores em greve, vinculados à Associação Nacional de Funcionários da Direção Geral da Aeronáutica Civil (Anfdgac), pedem sua adesão ao sistema de previdência das Forças Armadas, deixando o sistema privado, baseado na capitalização de fundos de cada afiliado.
O governo, por sua vez, considera o custo dessa mudança muito alto.
Representantes do governo e da associação têm uma reunião marcada para esta segunda-feira na qual deverá ser definida a questão.

*A repórter viajou a convite do hotel Loberías del Sur




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