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TAM demorou a avisar sobre falsa ameaça de bomba, dizem passageiros

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DIOGO BERCITO E DIEGO ZERBATO
MADRI, ESPANHA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Retirados de uma aeronave com destino ao Brasil na noite de segunda-feira (14), após uma ameaça de bomba, os passageiros do voo JJ 8065 ainda esperam em Madri por informações.
Segundo uma passageira ouvida pela reportagem, a companhia aérea TAM não explicou aos viajantes qual foram as circunstâncias dessa medida e por que razão é preciso esperar durante todo o dia para voar a São Paulo.
"Até agora a TAM não deu nenhuma informação para a gente", diz a enfermeira Carla Wlach, que estava no voo. "Só sabemos que no fim da tarde um ônibus vem nos buscar para nos levar ao aeroporto."
Wlach conta que o avião já havia voado por duas horas quando o capitão avisou que, por avaria no aparelho de GPS (sistema de posicionamento global), teria de retornar a Madri.
A aeronave pousou na capital espanhola e permaneceu na pista, diz, por um período de aproximadamente uma hora. A tripulação olhava pela janela e insistia aos passageiros que permanecessem sentados, com o cinto de segurança.
"Descemos no aeroporto num breu, no meio do nada, e nos colocaram em ônibus. Alguns passaram por detectores de metal e cães farejadores."
Os passageiros, sempre segundo a enfermeira, foram levados ao hotel sem mais informações. Chegando lá, e após colocar os dois filhos para dormir, a enfermeira acessou a internet e leu as notícias sobre a ameaça de bomba. "Levei um susto. A gente estava correndo perigo."
Procurada pela Folha, a Polícia espanhola confirmou a suspeita de bomba, surgida após uma denúncia anônima em uma cabine telefônica. Mas a aeronave foi inspecionada e nenhum artefato explosivo foi de fato encontrado.
"Com aquele Carnaval todo, eu sabia que tinha alguma coisa. Eu achei que estivessem buscando drogas", diz Wlach. "Meu marido disse que poderia ser uma bomba, mas eu falei que era muito pessimismo. Só que ele estava certo."
A enfermeira passou o dia à espera de novidades. Ela diz que, no café da manhã, pairava um ponto de interrogação. "Todo o mundo olhava um para o outro, querendo informações."
Wlach mora em Viena desde 1998 e viajava ao Brasil para passar as festas com sua família. Ela deve seguir em outro voo no fim desta terça-feira (15) -mas o horário da partida, diz, tampouco foi diretamente informado pela companhia aérea.
TAM
Questionada pela reportagem, a companhia aérea afirmou que os pilotos foram comunicados sobre a falsa ameaça de bomba pela Aena (Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea), responsável pelo controle de tráfego aéreo espanhol, quando o avião passava por Casablanca, em Marrocos.
A assessoria da TAM afirmou que as informações foram passadas com cautela aos passageiros para evitar pânico dentro da aeronave. Em terra, a empresa diz ter seguido orientações das autoridades espanholas, motivo pelo qual a falsa ameaça só foi informada mais tarde.
A companhia aérea declara que oferece assistência aos passageiros de acordo com as determinações legais, incluindo hospedagem, alimentação, transporte e comunicação gratuitos. Os passageiros retornarão ao Brasil na mesma aeronave, que deixará a capital espanhola às 20h30 (17h30 em Brasília).
O procedimento de não comunicar aos passageiros sobre ameaças durante um voo é um padrão na aviação civil. A companhia Turkish Airlines agiu da mesma forma em março, quando um voo de Istambul para São Paulo fez um pouso não programado em Casablanca, em Marrocos, depois de um falso alerta de bomba.

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