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Futuro ministro de energia argentino indica mudanças em subsídios

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MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Futuro ministro de Energia de Mauricio Macri, presidente eleito da Argentina, o ex-presidente da Shell Juan José Aranguren indicou nesta sexta-feira (27) que deve mudar a política de subsídios na área.
Se reduzem as contas de luz e gás e ajudam as petroleiras que atuam no país - o governo oferece um preço mais alto do que o praticado no mercado na compra de petróleo -, os subsídios tiveram como consequência perversa o aumento das importações e a baixa dos investimentos no setor.
O resultado é que a Argentina é uma grande importadora de gás e petróleo atualmente e cidades como a capital Buenos Aires convivem com frequentes apagões, principalmente quando o calor aumenta e o consumo de aparelhos de ar-condicionado também.
Em entrevista à rádio Mitre, nesta sexta (27), Aranguren disse que o país vive uma "esquizofrenia" no setor.
"Necessitamos, como em outros setores da atividade econômica, recuperar a racionalidade. Temos que sair da esquizofrenia que o setor energético viveu nos últimos anos".
Em suas palavras, é "um crime" subsidiar a energia ao mesmo tempo em que se importa cada vez mais combustível.
"O principal problema que vejo é como um país como o nosso, rico em recursos renováveis e não-renováveis, esteja importando 15% da energia de que necessita", afirmou. "Isso é um crime. Somente países que são exportadores subsidiam a energia. Nosso caso é único".
Ele lembrou que regiões mais abastadas do país, como Buenos Aires, têm tarifas subsidiadas enquanto o interior, mais pobre, paga mais caro pela energia.
"O que pagamos [na cidade de Buenos Aires] é ridículo. Há uma discriminação nas tarifas, que prejudica boa parte do país e isso vai contra um desenvolvimento sustentável da economia".
Ele prevê que os apagões devem continuar neste verão no país, uma vez que os investimentos que espera atrair para o setor não chegarão a tempo. A prioridade, segundo indicou, é o aumento da produção de gás.
O novo ministro afirmou ainda que não pretende re-privatizar a petroleira argentina YPF, estatizada no governo Kirchner. Essa era uma das promessas feitas por Macri em sua campanha.
Ele também reiterou que os investimentos na região de Vaca Muerta, grande jazida de gás de xisto e petróleo convencional, prosseguirão.
"Temos que encontrar as condições adequadas, do ponto de vista da produtividade, em como explorar os recursos de maneira mais eficiente. É um projeto que veio para ficar e a atual conjuntura de preços internacionais [do petróleo, em baixa] não será obstáculo para que se desenvolva".

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