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Corrupção é como o açúcar, diz papa em último dia de visita ao Quênia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No último dia de sua visita ao Quênia, o papa Francisco foi a uma grande favela de Nairobi e disse em um encontro de jovens que a corrupção funciona como o açúcar: tem gosto bom, mas vem com efeitos devastadores.
Na igreja de São José, onde 1.500 pessoas o aguardavam, Francisco foi recebido em meio a cantos e danças. Ali, o papa afirmou que os ricos têm muito a aprender com os pobres, como laços de solidariedade e ajuda mútua. No entanto, condenou a desigualdade social que assola o país e defendeu que o acesso à água potável é um direito humano, assim como a moradia digna, a eletricidade, escolas e hospitais.
Segundo dados da ONU, o Quênia ocupa a 147ª posição, entre 187 países, no ranking de IDH (o Brasil é o 79º). A expectativa média de vida é de 62 anos (no Brasil, 74), e 43,4% da população vive com menos de US$ 1,25 por dia (no Brasil, são 6,1%).
Além disso, cerca de 60% da população de Nairobi mora em favelas, ainda que estas cubram apenas 6% da área residencial da cidade.
"A atroz injustiça da marginalização urbana é uma ferida infligida por minorias que se agarram ao poder e à riqueza e que, de maneira egoísta, desperdiçam recursos, enquanto uma crescente maioria é forçada a ir para periferias abandonadas, sujas e decadentes."
Cerca de 50 mil pessoas moram na favela de Kangemi, e a comunidade esperava que a visita do pontífice trouxesse ajuda ao local. Segundo uma residente, Emily Night, a água encanada, que não é potável, só chega ali durante três dias por semana, e muitas casas não têm banheiros. Além disso, a coleta de lixo só é fornecida para os que podem pagar pelo serviço.
"Negar água a uma família, sob qualquer pretexto burocrático, é uma grande injustiça, especialmente quando alguém lucra com essa necessidade", disse Francisco.
ENCONTRO COM JOVENS
Mais tarde, Francisco participou de um encontro com jovens no estádio Kasarani, também na capital. Ali, disse que a corrupção é como o açúcar: "É doce, nós gostamos, é fácil. Também no Vaticano temos casos de corrupção", disse. "Por favor, não desenvolvam o gosto por esse açúcar que chamamos de corrupção."
"Cada vez que aceitamos um suborno, destruímos nosso coração, nossa personalidade, nossa pátria"
O papa também apontou uma ligação direta entre a violência e a desigualdade social. "O primeiro que temos que fazer é entender por que um jovem cheio de ilusões se deixa recrutar, por que aprende a matar", disse. "Se um jovem não pode estudar nem trabalhar, o que pode fazer? Pode se delinquir, cair na dependência, se suicidar, ou se envolver em uma atividade possa lhe dar um objetivo na vida."
Ainda nesta sexta (27), Francisco se encontrará com bispos do Quênia e viajará para Uganda, sua próxima parada em um giro que realiza pela África. No domingo, ele visitará a República Centro Africana.

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Edhucca

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