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Putin rejeita convite de Erdogan para conversar sobre derrubada de jato

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, rejeitou nesta sexta-feira (27) o convite do líder turco, Recep Tayyip Erdogan, para conversar a respeito da tensão provocada pela derrubada de um jato russo perto da fronteira turco-síria.
"Nós vemos que a Turquia não quer pedir desculpas pelo incidente com o avião", disse Yiri Ushakov, assessor de Putin.
Mais cedo, Erdogan havia dito querer conversar "cara a cara" com Putin em Paris, durante a Conferência do Clima das Nações Unidas, COP-21.
"Eu gostaria de trazer essa questão [do jato russo abatido] a um ponto razoável", disse Erdogan. "Estamos preocupados com a escalada do problema."
Erdogan alertou o governo russo para "não brincar com fogo" nas disputas em relação à derrubada do jato, mas reiterou que não quer prejudicar as relações diplomáticas com Moscou.
A relação entre Ancara e Moscou está abalada desde terça-feira (24), quando a aviação turca decidiu abater um jato de guerra russo envolvido em operações na Síria que teria invadido o espaço aéreo da Turquia. Putin nega que o avião tenha sobrevoado o solo turco, e considerou a derrubada "uma punhalada nas costas".
Durante a derrubada do avião russo, os dois pilotos se ejetaram em paraquedas. Um deles foi resgatado pelo regime sírio, aliado de Moscou, e o outro foi alvejado e morto por rebeldes envolvidos na guerra civil na Síria. Um soldado que participava de buscas no local da queda também foi morto após ter seu helicóptero derrubado pelos insurgentes.
Nesta sexta, o presidente da câmara baixa do Parlamento russo, Sergei Naryshkin, disse que seu país tem o direito de dar uma resposta militar à Turquia.
"Isto é [um] assassinato intencional de nossos soldados, e esta ação deve ser punida", afirmou o parlamentar em entrevista à emissora romena Digi24.
O governo russo havia ameaçado na quinta-feira (26) retaliar a Turquia com medidas econômicas, dentre as quais a suspensão da importação de produtos alimentícios, a restrição de viagens turísticas ao país e o congelamento de projetos de cooperação.
ESCALADA MILITAR
O incidente aumentou os temores sobre a escalada militar na região. Foi a primeira vez que um membro da Otan (aliança militar ocidental, da qual a Turquia é membro) derrubou um avião russo desde a Guerra da Coreia, nos anos 1950.
O episódio pode agravar ainda mais a crise na região, gerando incertezas com relação à cooperação internacional para combater a milícia radical Estado Islâmico (EI) e para pôr um fim à guerra civil na Síria.
Forças russas atuam desde 30 de setembro na Síria em aliança com o ditador Bashar al-Assad para combater o EI. Uma coalizão internacional, formada por França e Estados Unidos, também tem realizado ataques contra o EI, mas, ao contrário de Moscou, faz oposição ao governo de Assad.
O governo turco se opõe a Assad e vinha alertando a Rússia para não invadir seu espaço aéreo. Em outubro, a Otan chegou  alertar que estava preparada para defender o território turco da ameaça provocada pela intervenção russa na Síria.

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