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Analfabetismo cai, mas 13,2 milhões ainda não sabem ler e escrever

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BRUNO VILLAS BÔAS E LUCAS VETTORAZZO
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Apesar do longo caminho a percorrer, o Brasil conseguiu progredir no ano passado nos indicadores da área de educação. A taxa de analfabetismo no país encolheu e mais crianças estão frequentando a escola.
Segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2014, divulgada nesta sexta-feira (13), a taxa de analfabetismo do país recuou pelo segundo ano consecutivo, de 8,5% em 2013 para 8,3% da população com 15 anos ou mais.
A população analfabeta com 15 ou mais anos de idade era de 13,2 milhões no ano passado. São 100 mil pessoas a menos que não sabem ler e escrever no país. Ao longo de uma década, o número de analfabetos encolheu em 2,1 milhões. A taxa de analfabetismo caiu em 3,2 pontos percentuais nesse período, segundo os dados da pesquisa.
Mesmo com os avanços, o contingente segue elevado. É como se a população somada das cidades de São Paulo e de Curitiba não soubesse ler nem escrever. Ou uma Bolívia inteira. Em abril passado, um relatório da Unesco mostrou que dez países concentram 72% dos adultos analfabetos no mundo e o Brasil era um deles, ocupando a oitava posição. O maior contingente estava na Índia.
NORDESTE
Mais da metade da população analfabeta do país está no Nordeste (54,1%). A região tem a maior taxa de analfabetismo no país, de 16,6%, mas foi a que mais progrediu: o indicador era de 16,9% em 2013.
Outras regiões também tiveram avanços, incluindo Sudeste (de 4,8% para 4,6% em 2014) e Sul (4,6% para 4,4%). Esta última tem a menor proporção de analfabetos em relação ao total de sua população.
O desafio para a reduzir o analfabetismo segue concentrado nos mais idosos. Quase uma em cada quatro pessoas com 60 anos ou mais é analfabeta no país. São 6,4 milhões de analfabetos nessa faixa etária.
"Os analfabetos são sobretudo idosos na zona rural do Nordeste. É uma geração que não pegou a universalização do ensino básico no país. É um grande desafio chegar a essa parcela da população", disse Tiago Barreira, economista do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
A taxa de analfabetismo funcional -representada por pessoas que têm menos de quatro anos de estudos- teve queda de 18,1% para 17,6%. São pessoas que sabem ler e escrever apenas um enunciado simples.
TEMPO DE ESTUDO
O tempo dedicado ao estudo aumentou de 7,6 para 7,7 anos entre 2013 e 2014, considerando pessoas com 10 anos ou mais de idade. Em uma década, isso significou mais dois anos de estudos, ritmo acelerado.
A Pnad mostra também melhora no nível de escolaridade da população. Das pessoas com 25 anos ou mais, 13,1% completaram o curso superior. Em 2004, o indicador era de apenas 8,1%. Mas a tendência pode mudar.
"Muitos jovens estavam dedicados ao ensino superior apoiado na renda da família. Isso está mudando agora em 2015. É de se esperar que mais jovens deixem de estudar para trabalhar e ajudar a renda do lar", disse Barreira.
As crianças e os adolescentes também estão frequentando mais a escola do que no passado. A taxa de escolarização cresceu sobretudo entre as crianças de 4 a 5 anos, que frequentam a chamada pré-escola.
Segundo os dados da pesquisa, 82,7% das crianças nessa faixa etária estuda. Em 2007, esse percentual era de 70%. Esse crescimento foi o maior registrado entre as diferentes faixas.




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