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Moradores já tentam voltar para vilarejo destruído pela lama

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JOSÉ MARQUES E MOACYR LOPES JUNIOR, ENVIADOS ESPECIAIS
MARIANA, MG (FOLHAPRESS) - Mesmo com o mar de lama ainda encobrindo a maior parte do subdistrito de Bento Rodrigues, alguns moradores já tentam voltar ao local.
O vilarejo, com cerca de 492 habitantes, foi o mais atingido pelo rompimento, na tarde de quinta-feira (6), de duas barragens da mineradora Samarco.
"Estou querendo ir lá, ver se consigo recuperar alguma coisa", dizia, na manhã deste sábado (7), o operador de sonda Ivonei Marques, 39, que foi levado a um hotel de Mariana nesta sexta (6) com outras 104 pessoas.
Já o medo da família da dona de casa Gisele dos Santos Oliveira, 26, é de que alguém invada a sua casa e leve seus móveis. "Se a gente não for, vamos perder tudo o que compramos. Eu estava montando a minha vidinha lá", lamentava.
Mas o marido de Ivonei foi barrado pela Polícia Militar. O medo dos PMs e dos bombeiros é que, como os resíduos ainda não estão secos, as pessoas afundem e acabem engolidas pela lama.
Parte das pessoas que ficaram desabrigadas durante a tragédia foi levada para hotéis por conta da mineradora Samarco, proprietária da mina e das barragens onde o acidente aconteceu.
"Tá um tédio", resume a operadora de telemarketing Eliana Santos, 32, que morava em Bento Rodrigues e, desde sexta, está abrigada com a família no hotel.
"Todo o dia a gente se pergunta o que vai acontecer daqui pra frente, mas ninguém nos dá informação", acrescenta. Ela está alojada em um quarto com mais 12 parentes, sendo cinco crianças.
ALOJAMENTO
A Samarco afirma que até o momento 136 famílias, num total de 569 pessoas, estão em pousadas e hotéis.
No hotel Providência, um dos maiores de Mariana, segundo o gerente Antônio Diniz, foram recebidas 107 pessoas, entre adultos e crianças. O hotel ainda serve café da manhã, almoço e jantar para 150 pessoas que vêm de outros abrigos.
Os desalojados passam o dia nos corredores, no saguão ou sentados na calçada, discutindo a tragédia e tentando contar os desaparecidos. A única ocupação, dizem, é arrumar a cama e separar as doações.
Neste sábado (7), a dona de casa Maria das Graças Gonçalves, 44, chorava, em um quarto coletivo de 15 camas, consolada pelos quatro filhos, ao lembrar do soterramento. "Toma mãe, toma água", dizia Cíntia, 8, com um copo nas mãos.
"A verdade é que viver aqui está péssimo e não sabemos qual o nosso destino", criticou a auxiliar de serviços Sandra Maria de Souza, 38.
Na capela do hotel, a aposentada Oristides da Paixão de Souza, 83, rezava para uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Nos prédios anexos, onde funcionam uma escola e uma faculdade, as crianças jogavam bola.
Do lado de fora, na calçada, os homens mais velhos relembravam o momento da tragédia. "Teve uma mulher que foi jogada do outro lado do barranco", dizia o lavrador Antônio Teotonio, 51, a um grupo de amigos. Ele afirma que lamenta não ter dinheiro "nem para comprar um cigarrinho".
"Lá eu tinha minha vida, minha hortinha, fazia o que queria. Aqui eu não tenho nada. Até a roupa que estou usando é de outras pessoas", lamentou.
Procurada, a Samarco não se manifestou sobre os destinos do moradores até a publicação da reportagem.

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