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Presidente chinês chega a Washington para visita cercada de conflito

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MARCELO NINIO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Após passagem pela Costa Oeste dos EUA, o líder da China, Xi Jinping, chega nesta quinta (24) a Washington para reunir-se com o presidente dos EUA, Barack Obama, no momento mais esperado de uma visita cercada de expectativa e conflito.
As incertezas sobre a economia chinesa, a crescente repressão de Pequim à liberdade de expressão e as suspeitas de crimes cibernéticos aumentaram a pressão para que Obama endureça o tom.
Pré-candidatos republicanos à Casa Branca chegaram a defender o cancelamento da visita, em resposta a medidas chinesas consideradas desleais, como a desvalorização de sua moeda. O governo americano chegou a preparar um pacote de sanções contra empresas e indivíduos chineses envolvidos em crimes cibernéticos, mas decidiu congelar a ação até o encontro entre os presidentes, segundo a imprensa, para tentar um entendimento.
"Nossa preferência é pelo diálogo", disse Ben Rhodes, vice-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, sem querer adiantar se haverá um acordo sobre segurança cibernética durante a visita. "Mas quero enfatizar que um tema em que gostaríamos de um melhor entendimento com a China é a proteção a propriedade intelectual e a capacidade de firmas operarem sem receio de roubo cibernético".
É a primeira visita oficial de Xi Jinping aos EUA desde que ele assumiu o comando do Partido Comunista Chinês, há quase três anos. Neste período, acumulou mais poderes do que qualquer outro líder chinês desde Deng Xiaoping, o pai da abertura econômica iniciada em 1978. Centralizador, Xi enfatizou o nacionalismo, lançando uma ampla campanha anticorrupção, intensificando a repressão política e implementando uma diplomacia hiperativa.
A atitude militar assertiva para reforçar os direitos territoriais que Pequim reivindica em todo o mar do Sul da China causou nervosismo entre os vizinhos e preocupação nos Estados Unidos, além do aumento dos gastos em defesa. Na diplomacia, o governo chinês investiu em iniciativas ambiciosas destinadas a contrabalançar o sistema econômico dominado pelos EUA, com destaque para a criação do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura.
Cultura americana
Entre sinólogos americanos, há pessimismo sobre as chances de uma relação de cooperação entre as duas maiores economias do mundo. A expectativa da maioria é de que, mesmo com a desaceleração da economia chinesa, Pequim se manterá intransigente na meta de ocupar cada vez mais espaço como grande potência.
EUA x China
"O problema é que Xi não parece disposto a ceder em nada", disse à Folha Warren Cohen, professor emérito da Universidade de Maryland e autor de 12 livros sobre as relações entre EUA e Ásia. "O nacionalismo substituiu o comunismo como a ideologia de Estado na China."
Em Seattle, onde desembarcou na terça (24) para encontros com empresários antes de seguir para Washington, Xi Jinping mostrou um lado apaziguador e que conhece a cultura do anfitrião. Num jantar com executivos, citou seus autores americanos favoritos, em especial Ernest Hemingway, e negou que a campanha anticorrupção na China seja um expurgo político: "Não é House of Cards", brincou, referindo-se ao seriado sobre o poder nos altos escalões da política americana.
Xi também tentou jogar água fria na acalorada discussão sobre a guerra cibernética. "O governo chinês não irá se envolver de forma nenhuma em roubos comerciais e pirataria contra redes de outros países é um crime que deve ser punido de acordo com a lei e com os tratados internacionais", afirmou.
Embora a expectativa seja a de que o encontro entre Obama e Xi acabe pautado por temas econômicos, alguns torcem para que o presidente americano também fale de direitos humanos e da preocupação com o aumento da repressão na China. Desde julho, pelo menos 286 ativistas foram presos no país, de acordo com o Grupo de Advogados de Direitos Humanos, baseado em Hong Kong.
"Ao contrário do que muitos pensam, o governo chinês se importa com o que o mundo pensa. Por isso espero que o presidente Obama fale sobre direitos humanos com Xi, isso ajudaria a dar ressonância ao assunto no mundo", diz o advogado chinês Teng Biao, que foi preso duas vezes na China por sua defesa de vítimas de abusos do regime e atualmente é professor na Universidade de Harvard.
O protocolo oficial em Washington mal terá tempo para enrolar o tapete vermelho após a partida do papa Francisco, na quinta. Xi Jinping chegará logo depois, quase cruzando com o pontífice na base aérea de Andrews. Pequim e o Vaticano não tem relações diplomáticas.

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