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Rússia condena cineasta ucraniano a 20 anos de prisão por terrorismo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça russa condenou nesta terça-feira (25) o cineasta ucraniano Oleg Sentsov a 20 anos de prisão por terrorismo. Ele foi acusado de coordenar um grupo responsabilizado por ataques na Crimeia, região anexada por Moscou.
O julgamento é visto como político, já que Sentsov participou da revolta que derrubou o presidente ucraniano Viktor Yanukovich, em 2014. O governo ucraniano, os Estados Unidos e a União Europeia criticaram a sentença.
O cineasta foi preso em maio de 2014 em sua casa na Crimeia. De acordo com a Promotoria, ele coordenou um grupo na região autônoma ligado ao movimento de extrema direita Pravy Sektor, um dos mais atuantes na revolta.
A suposta célula de extrema direita foi responsabilizada por Moscou de ter jogado coquetéis molotov contra as sedes do partido governista Rússia Unida e da Sociedade Russa da Crimeia, em Simferopol, em abril do ano passado.
Além dos dois ataques, o grupo é apontado como responsável por tentar explodir a estátua de Lênin em Simferopol e o monumento dos mortos na Segunda Guerra Mundial no porto de Sebastopol, base da frota russa no mar Negro.
A organização ucraniana foi proibida na Crimeia após a anexação, em março de 2014. Sentsov também foi considerado culpado de posse ilegal de armas e munição e de tentar adquirir explosivos para este grupo.
No julgamento, ele admitiu ter participado dos protestos contra Yanukovich em Kiev no final de 2013, mas negou as acusações apresentadas pela Promotoria. Ele também acusou agentes russos de tê-lo torturado na prisão.
Os juízes também condenaram um segundo ucraniano, Aleksandr Kolchenko, a dez anos de prisão por participação na mesma célula. Ele admitiu ter atacado a sede do Rússia Unida por discordar da política do partido de Vladimir Putin.
HINO
No momento do veredicto, os dois cantaram o hino nacional ucraniano, em uma atitude de desafio. "Gloria à Ucrânia!", gritou Sentsov ao término da audiência, na cidade russa de Rostov, perto da fronteira ucraniana.
O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, que pediu várias vezes a libertação do cineasta, criticou a sentença. "Oleg, resista. Chegará a hora que aqueles que organizaram esta farsa se sentarão no banco dos réus", escreveu no Twitter.
A Academia do Cinema Europeu pediu ao presidente Vladimir Putin informação sobre Sentsov em carta assinada por cineastas como o espanhol Pedro Almodóvar, o britânico Ken Loach e o alemão Wim Wenders.
Sentsov dirigiu em 2011 seu primeiro e único longa-metragem, "Gamer", que estreou no Festival Internacional de Cinema de Roterdã.




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