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Candidata a presidente diz ter recebido ameaça de traficantes

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MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Uma das candidatas à Presidência da Argentina, a deputada Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, denunciou ter recebido uma ameaça de traficantes de drogas.
Carrió integra a aliança Cambiemos [Mudemos], que é encabeçada pelo aliado Mauricio Macri (PRO).
A deputada afirma que recebeu na noite desta quinta (6) uma caixa com três balas de revólver calibre 38 e um bilhete com uma mensagem de supostos traficantes de drogas.
"Já estamos radicados na Argentina, investimos e temos proteção, então permaneceremos aqui, como fizemos no México e em outros países. Assim que negociarmos nossos territórios, vamos contra as suas famílias. O que podem fazer? Nada", diz um trecho do bilhete, que foi divulgado na imprensa local.
Carrió é uma das denunciantes do avanço do tráfico de drogas na Argentina. Ela também investiu contra chefe de gabinete de Cristina Kirchner, Aníbal Fernández, a quem acusa de integrar uma quadrilha de traficantes de efedrina -matéria-prima para drogas sintéticas.
Na última semana, o jornalista investigativo Jorge Lanata denunciou o suposto envolvimento do ministro de Cristina com um caso de triplo homicídio ocorrido há sete anos. As vítimas seriam parte de uma quadrilha que traficava efedrina.
A denúncia é que Fernández teria ordenado o assassinato dos três. O político também daria proteção a traficantes em troca de propina.
O ministro, que é candidato a governador da província de Buenos Aires, negou a acusação e atribuiu a denúncia a uma tentativa de prejudicar sua campanha eleitoral.
Um dia após a denúncia, o edifício onde vive Lanata, em Buenos Aires, foi apedrejado e, perto dali, apareceram cápsulas de bala calibre 38. O jornalista interpretou o ocorrido como uma tentativa de intimidação.
Carrió é uma feroz opositora do governo de Cristina e autora de frases ácidas contra seus adversários.
Nos dias após a denúncia de Lanata contra Fernández, governistas revelaram que uma das entrevistas exibidas pelo jornalista em seu programa de TV foi gravada no apartamento de Carrió.
A descoberta provocou críticas de aliados de Fernández e da própria presidente Cristina Kirchner, que em um discurso em rede nacional chamou a casa de Carrió de "aguantadero" [covil].
Nesta sexta (7), Fernández afirmou solidarizar-se com a deputada e não quis comentar o ocorrido.
BERÇO EM CHAMAS
A proximidade da eleição primária, que ocorre no próximo domingo (9), aumentou a tensão também no berço do kirchnerismo, a província de Santa Cruz.
A capital, Río Gallegos, está imersa numa crise política. O prefeito, que integra o partido da presidente, a Frente para a Vitória, renunciou ao cargo há três semanas.
Funcionários da prefeitura estão em greve há mais de quatro meses, afetando a coleta de lixo e outros serviços essenciais na cidade. Outro político, também da Frente para a Vitória, assumiu a prefeitura.
Nesta sexta (7), os servidores voltaram a acirrar os protestos, por falta de acordo, queimando pneus em frente à prefeitura. A sede do município foi pichada com ofensas aos políticos.
Cristina Kirchner foi para Gallegos nesta sexta (7), onde votará no próximo domingo (9). Seu filho, Máximo Kirchner, é candidato a deputado federal pela província de Santa Cruz.

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