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Carlos Menem é julgado por obstruir investigação de atentado na Argentina

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MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Começou nesta quinta (6) o julgamento contra o ex-presidente argentino Carlos Menem e outras 12 pessoas acusadas de dificultar a investigação de um atentado a bomba, em 1994, em Buenos Aires.
Menem foi apontado pelo promotor Alberto Nisman -que apareceu morto em janeiro deste ano, em um caso ainda sem solução- como mandante de uma suposta manobra para obstruir a investigação e usar o caso contra inimigos políticos, nos anos 1990. Em 2006, ele e outros envolvidos foram formalmente processados.
Em 18 de julho de 1994, um atentado à bomba no edifício da associação judaica Amia matou 85 pessoas e deixou mais de 300 feridos. A investigação identificou o veículo que levou a bomba até o local e a partir daí começou a localizar suspeitos argentinos que teriam colaborado com iranianos pelo ataque.
Segundo a acusação, o governo teria boicotado a investigação.
Menem, que tem origem síria, teria ordenado ainda um suborno a uma das testemunhas, para que mentisse em seu depoimento. A hipótese é que Menem tentou usar a testemunha para acusar inimigos políticos, de olho nas eleições de 1999.
O então juiz do caso, Juan José Galeano, foi filmado pagando suborno à testemunha. Ele, dois promotores, a testemunha, sua mulher e seu advogado, além de ex-funcionários da Casa Rosada, do serviço de inteligência e ex-policiais são réus no caso.
Nesta quinta (6), os acusados se apresentaram ao tribunal federal argentino. Menem, 85, que hoje é senador, não compareceu e enviou um atestado médico, em que informou que teve uma piora em um quadro de hipertensão, além de diabetes, artrite e esclerose.
Dado o número de testemunhas e acusados no caso, a perspectiva é que o julgamento dure pelo menos um ano.
Por protestos de parentes das vítimas, a Argentina foi denunciada na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos, pelas irregularidades cometidas na investigação do caso.
O jurista brasileiro Paulo Vannuchi, que foi ministro de Direitos Humanos no governo Lula (2005-2010), integra a comissão e acompanha o julgamento, como observador internacional.

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