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Presidente egípcio exalta luta contra terrorismo ao inaugurar novo Suez

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ISABEL FLECK, ENVIADA ESPECIAL*
ISMAILIA, EGITO (FOLHAPRESS) - Ao inaugurar o novo canal de Suez sob um forte esquema de segurança, o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, disse nesta quinta (6) que o país "será lembrado" no futuro por enfrentar e superar a ameaça terrorista.
"O Egito será lembrado pela História por enfrentar a ameaça mais séria e perigosa", disse, em referência aos militantes ligados ao Estado Islâmico (EI) que tem realizado ataques cada vez mais frequentes na península do Sinai -na margem oriental do canal de Suez- e em outras partes do país.
"Este trabalho foi feito em circunstâncias extremas, em que estávamos lutando contra o terrorismo, e ainda estamos. E nós vamos superar esse desafio", disse, sob aplausos dos presentes.
Segundo Al-Sisi, é preciso "introduzir a real tolerância do Islã", por meio "da construção e do desenvolvimento, não de mortes e destruição".
O ex-chefe das Forças Armadas Al-Sisi, que liderou o golpe de Estado que depôs o islamita Mohammed Mursi, em julho de 2013, e declarou a Irmandade Muçulmana grupo terrorista, é alvo de críticas por perseguir seus membros e outras lideranças de oposição.
A ameaça de um possível ataque terrorista durante a cerimônia em Ismailia, na margem ocidental do canal de Suez, fez com que o governo mobilizasse um forte aparato militar para garantir a segurança.
Nos 130km de estrada que ligam Cairo e Ismailia, militares em tanques monitoravam o movimento dos comboios de ônibus com convidados -estes também escoltados por forças do governo. Barreiras para checagem de documentos foram instaladas em vários pontos da rodovia.
CERIMONIA ESVAZIADA
Sob um calor de 38 graus, autoridades acompanharam o discurso de Al-Sisi de uma tenda improvisada no banco de areia às margens do canal.
Apesar da forte propaganda do governo egípcio, poucos líderes ocidentais aceitaram o convite para a cerimônia, estimada em US$ 30 milhões.
O presidente francês, François Hollande, o único chefe de Estado europeu presente, entrou e se sentou ao lado de Al-Sisi, responsável por fechar recentemente a primeira compra dos caças Rafale fora da França.
Os três aviões Rafale entregues em julho -dos 24 comprados pelo Egito- participaram, inclusive, da cerimônia, sobrevoando o canal com alguns dos oito caças F-16 que chegaram dos EUA na última semana.
Há quatro meses, Washington suspendeu a proibição à venda de equipamentos militares ao Egito, que havia sido estabelecida após o golpe que levou Al-Sisi ao poder.
UNIFORME MILITAR
Vestindo um uniforme militar, Al-Sisi embarcou, no início da cerimônia, no El-Mahrousa, de 150 anos, que foi o primeiro navio a cruzar o canal de Suez, em 1869. Os militares estiveram à frente do projeto de expansão do canal de Suez, finalizado em um terço do prazo inicialmente estimado.
Antes de discursar e se sentar ao lado de Hollande, no entanto, o presidente trocou o uniforme por um terno.
O sucesso no desenvolvimento da obra -que incluiu a construção de uma nova "faixa", de 35 km, paralela ao canal já existente, e a dragagem de um trecho de 37 km para torná-lo mais profundo e largo, permitindo a travessia de navios maiores- tem sido amplamente associado a Al-Sisi, em banners e outdoors com seu rosto espalhados por Cairo e Ismailia.
Com o projeto de US$ 8,5 bilhões, o governo estima que, até 2023, o número de embarcações que cruzam o canal por dia praticamente dobre: de 49 para 97. A arrecadação com as travessias -importante fonte de divisas para o país-, na projeção do governo, aumentará de US$ 5,3 bilhões para US$ 13,2 bilhões nos próximos oito anos.
O governo decretou feriado nesta quinta, e trens, parques e museus terão entrada gratuita. À beira da estrada em direção a Ismailia e na praça Tahrir, no Cairo, pequenos grupos de pessoas se reuniram para comemorar, com bandeiras do Egito, a inauguração do novo canal.
*A repórter ISABEL FLECK viajou a convite da Autoridade do Canal de Suez

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