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Localização estratégica contribuiu para história conturbada do Iêmen

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RICARDO BONALUME NETO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A complexidade da política no Oriente Médio, e do Iêmen em particular, também fica clara com um olhar na história mais antiga da região.
A geografia e a importância estratégica do Iêmen ajudam a explicar os motivos e a sua importância em um mundo globalizado e a ligação ocidental com seus conflitos aparentemente endêmicos.
Tudo começou, em termos modernos, quando os portugueses irromperam no oceano Índico no final do século 15 inventando a tal ‘globalização‘. Depois do pioneiro Vasco da Gama, várias frotas portugueses continuaram a epopeia -logo em seguida, a de Pedro Álvares Cabral, que descobriu o Brasil no caminho da Índia em 1500.
Pouco depois o grande capitão luso Afonso de Albuquerque criou as bases do domínio português desse oceano, capturando fortalezas em três dos principais pontos estratégicos -Goa (Índia), Málaca (Malásia) e Ormuz (Irã). Faltava apenas tomar um porto estratégico perto da entrada do mar Vermelho entre África e Arábia.
Os portugueses tentaram usar a ilha iemenita de Socotra como base, mas era árida demais para prover recursos para suas frotas; foi abandonada em 1511. Áden, no sul do Iêmen, seria o ideal. Mas a cidade bem fortificada resistiu ao assalto de Albuquerque em 1513.
A importância de Áden ficou clara quando os turcos otomanos a tomaram traiçoeiramente -inclusive, enforcaram o seu sultão- em 1538, a caminho da Índia portuguesa. Mas os turcos foram derrotados no mar pelos lusos, cujas frotas incluíam um comandante chamado Martim Afonso de Souza -que, seis anos antes, fundara a primeira vila do Brasil, São Vicente (SP).
De volta ao século 20, com uma parada no 19: Áden e o Iêmen são importantes para os britânicos defenderem, mais uma vez, a Índia, então quase toda dominada por eles. Em 1839 eles tomam posse de Áden.
Turcos otomanos e britânicos chegaram a um acordo no começo do século 20 que previa o domínio turco ao norte e britânico ao sul do Iêmen. Para os britânicos, o que mais interessava era o porto. Áden virou uma das principais escalas para reabastecimento de navios. Já o interior do país continuou nas mãos de suas tribos ‘primitivas‘, que viviam em regiões áridas, e tendo como uma das suas principais fontes de renda o ‘pedágio‘ (isto é, extorsão) das caravanas de comerciantes.
O descaso britânico com o interior era tanto que nem chegaram a construir estradas a partir de Áden, e a principal forma de ‘pacificação‘ eram bombardeios pela força aérea -como hoje fazem sauditas, egípcios e aliados.
Com a onda de descolonização pós-Segunda Guerra, ficou inviável manter o controle europeu da região. O fracasso anglo-francês em retomar o canal de Suez em 1956 alimentou as aspirações do líder egípcio Gamal Abdel Nasser. Quando a parte norte do Iêmen se tornou uma república em 1962, Nasser enviou tropas para apoiar o novo governo contra os rebeldes monarquistas apoiados pela Arábia Saudita.
Nasser chegou a ter 70 mil soldados no Iêmen, que se retiraram depois de negociações com os sauditas em 1965. Na mesma época, os britânicos em Áden sofriam com o terrorismo da Frente de Liberação Nacional e terminaram abandonando a ex-colônia em 1967.
Em plena Guerra Fria, em 1972, o pró-ocidental Iêmen do Norte trava uma guerra inconclusiva com o pró-comunista Iêmen do Sul.
Com a Guerra Fria terminando, as duas partes do Iêmen se unificaram em 1990. Não foi o fim de conflitos políticos internos. E, como mostra a atual crise que mistura ideologia política, religião e apoio a grupos terroristas anti-ocidentais, está longe de ser o fim da conturbada história do país.

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