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Em crise, Sabesp quer arrecadar R$ 196 milhões com venda de imóveis

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EDUARDO GERAQUE, FABRÍCIO LOBEL E GUSTAVO URIBE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Sabesp espera arrecadar R$ 196 milhões com a venda das "joias da vovó. Foi assim que o presidente da empresa, Jerson Kelman, se referiu em entrevista à Folha de S.Paulo ao conjunto de 24 imóveis e terrenos inativos da Sabesp que deverão ser vendidos para diminuir o prejuízo financeiro da estatal causado pela crise hídrica no Estado de São Paulo.
A venda desses imóveis na Grande São Paulo e no interior do Estado, excluindo o litoral paulista, é uma forma encontrada pela Sabesp de arrecadar dinheiro a curto prazo.
Dos 24 imóveis listados pela empresa, dois já foram vendidos. A Sabesp espera vender outros seis até o final do ano. Os outros 16 imóveis deverão ser vendidos ao longo do ano de 2016.
Embora os imóveis devam passar por negociações, a expectativa é conseguir R$ 196 milhões com as vendas. Com esse valor, seria possível pagar pela interligação da represa do Rio Grande com o sistema Alto Tietê. Essa obra, que é a principal aposta da Sabesp e do governo do Estado para evitar um rodízio de água nos próximos meses, custa R$ 135 milhões, segundo a Sabesp.
Para que sejam negociados, os imóveis ainda dependem de aprovações da Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de S. Paulo) e do Conselho do Patrimônio do Estado de São Paulo.
COBRANÇA DE DÍVIDAS
Outra forma que a Sabesp encontrou para arrecadar dinheiro, diante de sua dívida financeira, é cobrar os municípios que têm dívidas com a empresa.
Para isso, a estatal enviou ao Cadin (cadastro estadual de inadimplentes) uma lista de 22 municípios que estão com faturas em aberto. Essa medida faz parte de um grande plano de ações judiciais de cobrança que vem sendo costurado pelos advogados da Sabesp desde abril.
A Sabesp não revela os nomes das cidades reportadas ao Cadin, pois argumenta que parte dos municípios ainda estão dentro do prazo para se regularizarem. Entre elas, no entanto, estão os municípios de Guarulhos, Santo André e Mauá que devem cerca de R$ 6,6 bilhões. Os três municípios questionam a dívida.
A inscrição de um município no Cadin inviabiliza o repasse de verbas estaduais e o acesso a algumas linhas crédito.




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