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Candidato, filho de Cristina vai a ato em homenagem a Néstor Kirchner

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MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Em um ato que era tratado como o lançamento de sua campanha eleitoral, Máximo Kirchner manteve o absoluto silêncio, cultivando o mistério que existe em torno de sua figura.
Herdeiro político da mãe, Cristina Kirchner, Máximo vai estrear na política na eleição deste ano, concorrendo a deputado federal pela província de Santa Cruz.
O evento na capital da província, Río Gallegos, na noite desta quinta (2), foi a primeira aparição pública de Máximo desde a sua decisão de concorrer, anunciada no fim de junho.
Discreto e tímido, Máximo, 38, despertou para a política não faz muito tempo -depois da morte do pai, Néstor Kirchner, em 2010.
Fez apenas um discurso público: um comício para militantes do movimento La Cámpora, que ele fundou, em setembro de 2014.
A agenda oficial em Río Gallegos era a abertura de um café temático sobre a vida de Néstor.
Políticos e autoridades nacionais voaram para a província, que fica 3.000 quilômetros ao sul de Buenos Aires.
Foi a primeira vez que Daniel Scioli, candidato da Frente para a Vitória (agremiação da presidente) à Presidência, posou ao lado do herdeiro K desde que Cristina deu-lhe o sinal verde para a sua campanha presidencial.
A presença de Scioli com Máximo, no berço do kirchnerismo, tem um peso simbólico. É mais um sinal do candidato às fileiras mais fiéis à Cristina Kirchner.
Com a popularidade em alta -a aprovação do governo ronda os 50%-, Cristina tem dado as cartas nas eleições deste ano e se tornou um importante cabo eleitoral.
"Desde a primeira semana de campanha, após a definição das candidaturas, Scioli tem demonstrado subordinação ao kirchnerismo", afirma o analista Rosendo Fraga, da consultoria Nueva Mayoria.
Em um discurso curto, Scioli homenageou Cristina, Néstor e Máximo.
"Com grandeza, humildade e vocação, você tomou a decisão de se submeter à vontade popular", disse Scioli ao herdeiro K. "Tenho certeza de que não deixará suas convicções na porta quando entrar no Congresso".
Aliado dos Kirchner desde a primeira eleição de Néstor e considerado o fiador do kirchnerismo na chapa de Scioli, Carlos "Chino" Zannini (candidato a vice) também discursou e criticou a imprensa.
Atribuiu aos meios de comunicação opositores a informação de que o evento, uma homenagem a Néstor Kirchner, seria o lançamento da candidatura de Máximo.
E também citou Cristina -a presidente não participou do evento.
"[Os meios de comunicação] Disseram que Cristina estaria numa lista [como candidata a deputada] e isso não aconteceu. Porque Cristina não aspira entrar em uma lista, ela aspira entrar para a história", disse Zannini.
Zannini também elogiou Máximo: "está acima da média da inteligência política nacional". "Máximo poderia sair como candidato em qualquer lugar do país, mas quis ser fiel a Santa Cruz", afirmou.
Além dos dois candidatos, a ministra de Desenvolvimento e irmã de Néstor, Alícia Kirchner, e o secretário-geral da Presidência, Eduardo "Wado" de Pedro, participaram do evento.
Durante o dia, funcionários da prefeitura, que estão em greve há três meses, fizeram manifestações e bloquearam a rodovia que liga o aeroporto à cidade.
Segundo a imprensa local, o governo de Cristina enviou homens da Guarda Nacional para fazer a segurança do evento.
Zannini criticou os manifestantes. Disse que fazem parte da oposição e chamou-os de covardes. "Não tenham medo de Máximo, busquem suas próprias ideias e façam melhor", afirmou.

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