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Na Câmara, "ex-gays" vinculam abusos e abandono a homossexualidade

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MARIANA HAUBERT
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com a presença maciça de deputados da bancada evangélica, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara ouviu nesta quarta-feira (24) o depoimento de cinco pessoas que dizem ter deixado de ser homossexuais.
Os convidados criticaram o movimento LGBT e pediram mudanças no posicionamento do Conselho Federal de Psicologia para que homossexuais possam ser tratados por psicólogos. Já os deputados presentes afirmaram que a homossexualidade é um modismo.
Com histórias semelhantes, os convidados que se disseram ex-gays afirmaram ter adotado a orientação homossexual devido a abusos sexuais sofridos na infância e na adolescência e defenderam que ninguém nasce gay.
"Como eu poderia viver minha homossexualidade se eu estava infeliz como gay? Se estava mal com esta prática? Hoje eu venci esse problema na minha vida", declarou o pastor, cantor evangélico e conferencista Robson dos Santos Alves.
"A pessoa que quer deixar de ser homossexual ela pode deixar. A grande verdade é que eu nunca fui gay. Eu fui levado para a prática homossexual", completou o cantor, que contou ter sido abusado sexualmente quando era criança.
Os outros presentes também declararam não terem sido homossexuais mas apenas terem passado por uma experiência devido a problemas pregressos como abusos ou omissão paterna.
"MODISMO"
Autor do requerimento para a realização da audiência, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), afirmou que a homossexualidade é um modismo e disse que pais e mães não sabem o que fazer.
Ele afirmou ainda que os chamados "ex-gays" sofrem dupla discriminação na sociedade e negou que a audiência tenha sido uma tentativa de ressuscitar a proposta da "cura gay", porque a homossexualidade não é doença.
Um projeto sobre o tema tramitou na comissão em 2013 quando o pastor presidiu o colegiado. Na época, a proposta foi muito criticada e acabou sendo arquivada.
Para o deputado, tanto os homossexuais quanto os heterossexuais acusam a população de ex-LGBTs de serem mentirosos, dissimulados e até mesmo doentes mentais.
Feliciano defende ainda a aprovação de uma lei que possa proteger do preconceito essas pessoas e pede que haja programas governamentais para promover a visibilidade e o respeito por elas.
PSICOLOGIA
Para Robson Alves falta ajuda psicológica para quem quer deixar de ser homossexual. "Fui indicado pela psicóloga para viver minha homossexualidade, mas não era feliz nisso. A pessoa que quer deixar de ser homossexual, ela pode ser. [...] Os únicos que conseguem acolher essas pessoas são os religiosos", disse.
Representantes do CFP (Conselho Federal de Psicologia) distribuíram um material sobre o posicionamento da entidade que foi rasgado por pastores presentes à audiência.
O CFP defende que a homossexualidade não pode ser tratada como doença, distúrbio ou perversão. Durante a audiência, o vice-presidente do órgão, Rogério de Oliveira Silva, afirmou que os psicólogos do país não têm autorização para tratar casos de homossexualidade.
"Não cabe ao psicólogo, em momento algum, definir que vai fazer o tratamento de algo que não é considerado uma doença. Cabe a nós, profissionais de saúde, acolher o sofrimento daqueles que nos procuram mas sem exercer convicções ideológicas, religiosas ou de qualquer outra natureza", defendeu Silva.
Após os depoimentos, Feliciano contestou a posição do CFP. "Não vi nenhum deles aqui contar um caso em que não tivessem passado por um abuso na infância. E quando procuraram ajuda, os psicólogos não os trataram por medo de serem cassados. Tem que haver alguma forma de essas pessoas serem ouvidas, serem tratadas. Não é doença, é um fenômeno de comportamento e por isso elas tem que ser tratadas", afirmou.
Durante a audiência, grupos ligados aos parlamentares da bancada evangélica aplaudiram as falas em diversos momentos.
Os deputados criticaram também a ausência dos deputados Jean Wyllys (Psol-RJ) e Érika Kokay (PT-DF), ativistas a favor do movimento LGBT.
Contrário à audiência, o presidente da comissão, Paulo Pimenta (PT-RS), foi questionado pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por estar no comando da audiência.
Em resposta, o petista provocou. "Eu não sou qualquer parlamentar que tenha dificuldade de me relacionar. Tenho capacidade de tratar qualquer pessoa com respeito. Não me julgue por algo que vocês eventualmente façam", disse.
Único parlamentar a destoar dos discursos dos deputados da bancada evangélica, Adelmo Carneiro Leão (PT-MG), criticou a postura dos colegas.
"A homossexualidade não é modismo. Ainda sofre preconceito. Dizer que ninguém nasce homossexual não é uma verdade absoluta. Dizer que o homossexual é um doente, é uma atitude preconceituosa", disse. Ele foi aplaudido por militantes do movimento pró-LGBT que entoaram o grito de "me representa".
"Não podemos dizer também que todos os homossexuais são fruto de abuso. Certamente muitos não foram. Não podemos dizer também que o abuso leva a homossexualidade e que ela seja sempre fruto de abuso", completou o deputado.
Durante a fala dos deputados, Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) prometeu apresentar um projeto de lei para criar a "bolsa ex-gay" para auxiliar os homossexuais que querem mudar de orientação sexual. "Existe tanta bolsa para tudo, que seria importante uma bolsa para auxiliar quem precisa de ajuda para mudar", disse.

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