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Aliado de Cristina impõe desafio a candidato peronista, diz escritora

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SYLVIA COLOMBO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para a ensaísta e crítica literária argentina Beatriz Sarlo, a entrada do homem de confiança de Cristina Kirchner na chapa do peronista Daniel Scioli tornará a eleição presidencial do país vizinho "mais animada".
Por outro lado, avisa, o sucesso dessa candidatura pode significar que o país terá "uma mudança de regime, no sentido de ter um comando ainda mais autoritário", disse à reportagem a estudiosa, que participará da Flip, em Paraty, na semana que vem.
Assim como boa parte da sociedade argentina, Sarlo foi surpreendida pela decisão da atual presidente, Cristina Kirchner, que não pode concorrer à reeleição, de indicar seu secretário legal e técnico, Carlos Zannini, como vice de Scioli.
Até então, os kirchneristas não haviam se decidido sobre ter um candidato próprio ou apoiar Scioli, um peronista de perfil distinto de Cristina, mais tradicional, ligado a sindicatos e com muito apoio na província de Buenos Aires, maior reduto eleitoral da Argentina (quase 40% dos votos de todo o país).
"Colocar Zannini como vice é claramente uma estratégia de Cristina para manter seu poder e influência no novo governo", diz a ensaísta.
Caso a chapa vença a eleição, cujo primeiro turno ocorre em 25 de outubro, Sarlo vê dois cenários. Num primeiro, Scioli conseguiria neutralizar Zannini como já fez com um representante kirchnerista em sua gestão na província, o vice-governador Gabriel Mariotto.
No segundo cenário, Zannini conseguiria se impor como representante das vontades de Cristina. "Aí estaríamos diante de uma aventura carismática e autoritária, que adere às instituições e pode transforma-las. Um passo em direção à Venezuela."
Assim como ela própria, Zannini tem origem política no maoísmo, embora ambos tenham trilhado caminhos diferentes depois. A estudiosa, porém, faz ressalvas quanto às comparações que colocam lado a lado o chavismo e o kirchnerismo.
"Não é a mesma coisa, são dois países diferentes. A Argentina está longe de se parecer à Venezuela hoje. Não temos políticos presos, temos mais vozes de oposição atuando e não temos um mandatário que decide quando e se vai haver eleições. Lá a situação é muito mais grave."
Sobre a tentativa de Scioli de amenizar as diferenças políticas entre kirchneristas e não kirchneristas e promover um discurso mais conciliatório, mais moderado com relação ao enfrentamento do governo com os meios de imprensa e outros assuntos, Sarlo também alerta. "Ele está longe de ser um político brando", afirma.

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