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Justiça bloqueia bens de fiscal mais rico de SP

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ARTUR RODRIGUES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça bloqueou nesta segunda (22) os bens de um dos auditores fiscais suspeitos de participar na máfia do ISS.
Em fevereiro, a Folha de S.Paulo mapeou em cartórios 55 imóveis no nome de José Rodrigo de Freitas, acumulados ao longo dos últimos cerca de 30 anos trabalhando na Prefeitura de São Paulo. Ele negociou um total de 83 imóveis, mas 28 foram vendidos.
Depois da reportagem, Freitas foi afastado.
Ele já vinha sendo investigado pela CGM (Controladoria Geral do Município) e pelo Ministério Público. Devido ao seu patrimônio milionário, ele era conhecido como "rei dos fiscais".
Assim como a Folha, a Controladoria também encontrou dezenas de imóveis no nome de Freitas, colocando-o no topo da chamada matriz de risco utilizada pelo órgão - além do patrimônio, as possibilidades que determinado cargo tem para cometer atos de corrupção são levados em consideração.
De acordo com o cálculo da investigação, o valor do enriquecimento ilícito de Freitas é de R$ 68 milhões. A apuração descobriu quase 80 imóveis no nome dele, além de carros e outros bens.
Somando imóveis, aluguéis, multas e outros fatores, o valor bloqueado cautelarmente pela Justiça chega a R$ 220 milhões. A ação de sequestro de bens foi proposta pelo promotor do Patrimônio, Silvio Marques.
Freitas foi apontado pelo ex-fiscal Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, em depoimento a promotores, como o responsável por intermediar o contato das construtoras com outros integrantes da máfia do ISS. O esquema, que desviou cerca de R$ 500 milhões dos cofres municipais, consistia na cobrança de propina em troca de descontos no ISS das obras.
Funcionário de carreira da Secretaria Municipal de Finanças desde 1988, Freitas trabalha no setor de cadastros imobiliários da prefeitura. É esse o setor que define, por exemplo, valores base para a cobrança de impostos sobre imóveis como IPTU e ITBI.
Ao mesmo tempo, atua como incorporador. Ele compra terrenos que depois são transformados em novos imóveis.
Boa parte dos imóveis comprados por ele está na região de Santana, bairro de classe média da zona norte que sofreu um boom de novos empreendimentos na última década e hoje tem ruas entre as mais valorizadas da cidade.
Entre os 83 imóveis que negociou, 50 deles foram comprados nos últimos dez anos.
A reportagem não localizou o fiscal nesta segunda. Em entrevista à Folha em fevereiro, ele justificou o patrimônio a uma composição do salário de auditor e o trabalho no ramo imobiliário.
"Eu mexo com imóveis desde 1990. Eu trabalho na prefeitura, mas a minha renda não vem só da prefeitura, graças a Deus", disse.
De acordo com ele, nem todos os imóveis encontrados em seu nome nos cartórios pertencem de fato a ele.
"Se tivesse 80 imóveis estava vivendo de renda", afirmou. "O que acontece em cartório? Nem sempre o que está lá é meu. Às vezes a pessoa que compra pode não ter dado baixa".

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