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Parlamentares governistas do Brasil também viajarão à Venezuela

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GABRIELA GUERREIRO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Numa resposta a senadores brasileiros da oposição que foram à Venezuela na semana passada, uma comissão de congressistas aliados à presidente Dilma Rousseff vai a Caracas nesta quinta-feira (25) para uma série de encontros com representantes do governo e de partidos que fazem oposição à gestão de Nicolás Maduro.
O grupo afirma que representará oficialmente o Senado para dialogar com "todos os setores políticos" da Venezuela, inclusive com a oposição.
Senadores do PSDB, porém, acusam os governistas de integrar uma "comissão chapa-branca" em defesa dos aliados de Maduro.
"Eu acho que a comitiva chapa-branca é uma reação ao incômodo que a nossa visita causou e não deveria ter causado", atacou o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG).
A comissão será integrada pelos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Roberto Requião (PMDB-PR), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM), Lídice da Mata (PSB-BA) e Telmário Mota (PDT-RR).
O grupo diz ter convidado senadores de oposição para integrar a missão, mas os oposicionistas rejeitaram o chamado.
"Chega a ser risível [o convite]. Eu desejo a eles uma boa viagem e que possam cumprir o seu papel. E, se tiverem um tempo, espero que façam aquilo que nos foi impedido: visitem os presos políticos e digam o que pensam em relação ao que vem ocorrendo na Venezuela", reagiu Aécio.
Lindbergh disse que a comitiva dos oposicionistas foi "de um lado só", porque o grupo procurou apenas representantes da oposição venezuelana para dialogar.
O senador afirmou que, desta vez, os congressistas brasileiros vão se reunir com o opositor Henrique Capriles, com as mulheres dos presos políticos que fazem oposição a Maduro e com representantes do governo da Venezuela.
"A outra comissão é que foi conversar com apenas um lado. Queremos conversar com todos. Foram fazer uma visita de olho na política interna daqui. Eles foram como incendiários, e nós vamos como bombeiros", disse o petista.
A exemplo dos oposicionistas, o grupo solicitou avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para se deslocar a Caracas, mas ainda não obteve resposta do governo brasileiro a respeito do uso da aeronave oficial. Os senadores pretendem sair de Brasília nesta quarta (24) à noite para, na quinta, realizar os encontros programados na Venezuela.
EMBAIXADOR
Na semana passada, um grupo de oito senadores da oposição visitou a Venezuela para tentar se encontrar com políticos presos pelo regime Maduro, mas não conseguiu deixar o aeroporto de Caracas.
Os senadores afirmam que o veículo foi cercado e apedrejado por manifestantes e acusam o embaixador do Brasil na Venezuela, Ruy Pereira, de ter "abandonado" o grupo, sem apoio diplomático.
A Folha de S.Paulo revelou neste domingo (21) que a comitiva dos senadores brasileiros sabia que a representação não iria acompanhá-los.
Aécio disse que soube da decisão do embaixador de não acompanhar o grupo quando chegou a Caracas, mas afirmou que o diplomata prometeu que deixaria um representante do consulado junto aos congressistas brasileiros -o que não ocorreu, segundo o tucano.
"Eu acho que essa é uma página que não ilustra, que não enobrece a diplomacia brasileira, de tantas belas páginas no passado, mas que ao longo dos últimos anos vêm escrevendo algumas das mais lamentáveis páginas na busca de um alinhamento ideológico que beneficio algum traz ao Brasil ou a interesse algum dos brasileiros atende", disse Aécio.
Lindbergh reagiu ao afirmar que o embaixador não poderia acompanhar uma delegação de senadores da oposição que colocou, no veículo em que se deslocaram em Caracas, as mulheres de presos políticos que fazem oposição a Maduro.
"O embaixador não pode se meter numa coisa como essa. A posição do governo brasileiro é pela legalidade democrática. O governo está conversando com a situação na Venezuela e com a oposição também. A posição do governo brasileiro é definida, de respeito à ordem democrática", disse Lindbergh.

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