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Opositor preso é transferido após fazer declaração política na Venezuela

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O opositor venezuelano Daniel Ceballos foi transferido na madrugada deste sábado (23) da prisão militar de Ramo Verde para a cadeia comum de San Juan de los Morros como punição por ter feito uma declaração pedindo votos nas primárias opositoras.
Uma das vozes do partido Vontade Popular, liderado por Leopoldo López, Ceballos está preso desde março de 2014, quando foi acusado pelo governo de incitação à violência nos protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que tiveram início em San Cristóbal, cidade da qual era prefeito.
Na advertência que levou à transferência, o diretor da prisão de Ramo Verde, Horacio Miranda, disse ter solicitado a punição porque o detento cometeu uma falta "que poderia levar à alteração da ordem e da disciplina do estabelecimento".
A violação teria sido cometida em 15 de maio, quando Ceballos ligou para a mulher, Patricia Gutiérrez, e aproveitou para fazer uma declaração pedindo votos nas primárias da oposição, onde era um dos candidatos a deputado nacional por San Cristóbal.
No documento, Miranda disse que a mensagem foi divulgada ao vivo em uma emissora de rádio, violando o regulamento da prisão. Gutiérrez confirma que houve a mensagem, mas para a campanha eleitoral durante as primárias da oposição.
Para o vereador de San Cristóbal José Vicente García, a medida foi uma represália à vitória de Ceballos na primária opositora na cidade, no próprio dia 15. Ele foi eleito candidato com 46,4% dos votos.
Segundo García, ele poderia fazer a declaração, pois não havia impedimento judicial. O advogado do ex-prefeito, Juan Carlos Gutiérrez, afirmou que a transferência foi feita sem ordem judicial, embora tenha sido acompanhada por uma juíza.
Para ele, não há justificativa para a transferência para San Juan de los Morros, uma das prisões mais perigosas da Venezuela, e disse que não é uma prática comum colocar presos políticos no mesmo local em que estão detentos comuns.
A ação foi condenada pela organização Human Rights Watch, que considera a prisão de Ceballos arbitrária e pede sua soltura imediata ao governo venezuelano. A administração de Nicolás Maduro não se manifestou sobre a transferência.
LEOPOLDO LÓPEZ
Horas depois da transferência, a mulher e o advogado de Ceballos foram à prisão militar de Ramo Verde para tentar recuperar os pertences do ex-prefeito que ficaram no local, mas os agentes penitenciários se negaram a entregá-los.
Eles estavam acompanhados de Lilian Tintori, mulher do líder do Vontade Popular, Leopoldo López, que disse ter sido proibida de ver seu marido. Ela afirma que, neste sábado, foi realizada uma revista em todas as celas da cadeia e levaram todos os presos ao refeitório.
O governo venezuelano também não se pronunciou sobre a operação ou sobre a situação de Leopoldo López em Ramo Verde.

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