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Ciclistas e parentes de mortos em favela fazem protesto conjunto no Rio

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SAMANTHA LIMA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Ciclistas em protesto pela morte de um médico a facadas, enquanto pedalava na zona sul do rio, e parentes dos jovens mortos a tiros em operação policial no morro do Dendê, na zona Norte, fizeram um breve ato conjunto, por volta das 12h30, em repúdio ao crimes, ocorridos na terça-feira (19).
O encontro dos dois grupos se deu em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do estado. Os ciclistas vieram da Lagoa Rodrigo de Freitas, depois de terem organizado uma celebração em memória ao médico Jaime Gold, morto enquanto andava na região, na última terça-feira.
Ao chegar ao palácio, em Laranjeiras, encontraram cerca de 10 parentes de Gilson da Silva dos Santos e de Wanderson Jesus Martins, que tinham 13 e 24 anos, respectivamente. Eles foram mortos em uma operação da Polícia Civil para apreender máquinas caça-níquel na comunidade.
A presença do outro grupo surpreendeu os ciclistas. Já Emerson Silva, um dos irmãos de Wanderson, disse que seus parentes e vizinhos escolheram aquela hora para aproveitar a presença dos que estavam de bicicleta.
Enquanto os ciclistas deitavam-se na pista de carros e espalhavam tinta guache vermelha sobre o asfalto, os parentes dos jovens, de pé, exibiam cartazes com as fotos das vítimas e cantavam o "Rap da felicidade". Alguns ciclistas acompanharam o canto. O trânsito ficou interrompido durante o ato, que levou menos de cinco minutos.
Aos prantos, as mães dos dois jovens clamavam por justiça. "Meu filho era alegre e tinha sonhos. Não era bandido, e, mesmo se fosse, não deviam ter feito isso. Estudava e trabalhava num lava jato. Esse monstro acabou com nossa família", disse Eliane Simplício, mãe de Gilson.
"Meu filho era trabalhador, pescador. Vivia para o filho dele. Não tinha envolvimento com nada", disse Maria Aparecida Jesus de Melo, mãe de Wanderson.
Pouco depois, os ciclistas seguiram de bicicleta para a sede da prefeitura, na Cidade Nova, centro do Rio, onde o grupo se dispersou.
'PENSEI EM VOLTAR PARA A FRANÇA', DIZ PAI DE FERIDO
Pai de um jovem esfaqueado enquanto andava de bicicleta pela Lagoa, em abril, o francês Christophe Didier afirmou já ter pensado em voltar para a França depois do ocorrido.
Ele participou com o rapaz, Victor, 19 anos, da missa organizada pelos ciclistas na Lagoa, pela manhã, em homenagem ao médico morto. Era a primeira vez que o o filho andava de bicicleta depois de ter saído do hospital, há três semanas.
Victor ficou internado por 15 dias, em estado gravíssimo, com perfurações nos dois pulmões.
"As crianças cresceram aqui, gostamos do país, mas, depois do ocorrido, já pensamos algumas vezes em voltar para a França", disse o pai.
Presidente no Brasil do escritório da companhia aérea Etihad Airlines, de Abu Dhabi, Christophe orientou os filhos a não mais andar de bicicleta à noite, nem desacompanhados.
O estudante disse ter criado coragem de voltar a andar de bicicleta para protestar contra a violência. "Precisava vir para mostrar que as coisas não devem continuar desse jeito".

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