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Juiz argentino que reduziu pena de pedófilo diz que "cumpriu seu dever"

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MARIANA CARNEIRO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Um dos juízes que reduziu a pena do homem acusado de abusar de um menino de seis anos na Argentina afirmou, em entrevista ao jornal "La Nación", que "cumpriu com seu dever".
Horacio Piombo e Benjamín Sal Llargués decidiram reduzir a pena do ex-dirigente do clube Florida de seis anos para três anos e dois meses, tratando o episódio como "abuso sexual simples" e não mais como "abuso sexual gravemente ultrajante".
O argumento é que o menor já teria sofrido abusos antes e apresentava sinais de "travestismo".
"É claro que a escolha sexual do menor, apesar de sua pouca idade, à luz de nutridos testemunhos de pessoas próximas, já havia sido feita (conforme referências a recorrente oferta venal e ao travestismo)", afirmaram os juízes em seu despacho.
Na entrevista ao "La Nación", o juiz afirma que o comportamento do menino de seis anos foi informado por psicólogos.
"O que está provado é que alguma coisa aconteceu com o menor, algo muito sério, porque [ele] mudou totalmente de hábitos antes de que sucedesse este [último] ocorrido. O menor começou a realizar coisas... Não é bonito de se dizer: começou a se oferecer para as pessoas. Nós consideramos que este [último] ocorrido não foi o pontapé inicial de tudo. Foi um aproveitamento de uma situação que deveria ser punida sem o agravante", afirmou o juiz ao "La Nación".
Após a repercussão da decisão, Piombo perdeu o cargo de professor na Universidade Nacional de Mar del Plata. Os alunos da Universidade de La Plata, onde os dois também são docentes, também pediram a destituição dos magistrados.
Piombo e Sal Llargués podem ainda sofrer um processo político, que pode culminar em seu afastamento da magistratura. Um abaixo-assinado contra os juízes já reuniu mais de 32 mil assinaturas em três dias.
Além deste caso, os argentinos estão revoltados com outra decisão dos dois juízes, a qual relaxou a pena de um pastor acusado de abusar de duas menores, de 14 e 16 anos. No julgamento, em 2011, os magistrados afirmaram que as meninas eram de um nível social mais baixo, em que se aceita relações sexuais mais cedo.
Na entrevista ao jornal argentino, Piombo afirma que as críticas podem esconder interesses de retirá-los do cargo. Eles são juízes da segunda instância da Justiça da província de Buenos Aires, a Câmara de Cassação Penal. Esses juízes também são eventuais substitutos da Suprema Corte da província.

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