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Vídeo mostra centenas de corpos em barco naufragado no Mediterrâneo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Imagens de vídeo das autoridades italianas mostram centenas de corpos de imigrantes africanos em uma embarcação naufragada no Mediterrâneo em abril, corroborando com relatos de sobreviventes de que mais de 800 pessoas teriam se afogado no episódio, informaram nesta sexta-feira (15) promotores na Sicília.
O naufrágio deixou apenas 28 sobreviventes, incluindo dois suspeitos contrabandistas, e foi o estopim para que a União Europeia (UE) adotasse medidas de emergência a fim de combater as travessias ilegais no Mediterrâneo, que levaram nos últimos meses milhares de imigrantes para países costeiros, como a Itália e a Grécia.
"As dimensões do barco (...) e o número impreciso mas muito alto de corpos vistos dentro da embarcação ou próximo a ela, junto aos relatos convergentes dos sobreviventes, indicam que havia algumas centenas de pessoas, talvez 800", disse em um comunicado o escritório dos promotores, que não divulgarão imagens da inspeção para "proteger a dignidade dos mortos".
"O barco pesqueiro estava abarrotado de imigrantes em todos os cantos", adicionaram os promotores. Sobreviventes relataram às autoridades que os contrabandistas tentavam "embarcar cada vez mais pessoas, que não conseguiam entrar no barco pesqueiro porque já estava superlotado."
As identidades e as nacionalidades das vítimas do naufrágio permanecem desconhecidas. Segundo os promotores, "não é possível estabelecer o número preciso de crianças e mulheres e nem saber seus países de origem".
A Promotoria investiga os suspeitos contrabandistas por assassinato, por provocar o naufrágio e por contribuir para a imigração ilegal.
Concluiu-se que a embarcação naufragou por estar superlotada e porque os tripulantes fizeram "manobras erradas", colidindo o barco contra um navio que tentava ajudá-los.
CRISE MIGRATÓRIA
Com a melhora das condições meteorológicas para atravessar o Mediterrâneo, quase 3.600 pessoas foram resgatadas de barcos superlotados entre terça (12) e quinta (14), informou a Itália. A maior parte dos imigrantes vinha da Nigéria e da Somália.
O aumento dos resgates ocorre pouco após a UE anunciar um plano para distribuir imigrantes de forma mas equitativa entre os países do bloco. Atualmente, a Alemanha é o principal destino imigratório no continente.
Na semana que vem, as autoridades europeias discutirão uma operação militar a fim de conter o fluxo de imigrantes.
A situação de instabilidade na Líbia, provocada pela queda do ditador Muammar Gaddafi, em 2011, facilita as operações de contrabandistas, sendo o país a principal origem de barcos ilegais.
A crise migratória na Europa se intensificou devido a conflitos armados em países como Síria, Nigéria, Somália, Eritreia e Mali.

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