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LEANDRO COLON
LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - Os líderes europeus anunciaram nesta segunda-feira (20) um pacote de medidas para conter o fluxo de imigrantes clandestinos depois do naufrágio de um barco com pelo menos 700 pessoas a bordo no fim de semana no Mar Mediterrâneo.
As ações foram divulgadas pela Comissão Europeia ao mesmo tempo em que mais dois barcos, somando 450 pessoas, tiveram de ser resgatados, aumentando um drama que parece não ter fim na região que liga o continente africano à Europa, tendo a Itália como principal destino.
O governo italiano considera a situação "fora de controle" e "dramática". Segundo dados da Acnur (Agência da ONU para Refugiados), 13.500 pessoas foram resgatadas entre os dias 10 e 17 de abril -1.000 teriam morrido no mês.
Levando em conta o ano de 2015, 31.500 tentaram fazer a travessia. Em 2014, foram 218 mil, mais de quatro vezes em relação a 2013.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que essa rota hoje é a "mais mortal do mundo" usada por imigrantes em busca de asilo em outro país.
Uma medida é o fortalecimento da operação Triton, lançada ao mar em novembro do passado com o suporte de 20 países europeus e que substituiu a Mare Nostrum, comandada pelas autoridades italianas e de maior abrangência.
Uma reunião deve ocorrer entre as lideranças da Europa na quinta-feira (23) para tratar do assunto.
"Isso é uma vergonha e uma confissão de falhas de quantos os países estão fugindo de sua responsabilidade e quão pouco dinheiro oferecemos para as missões de resgate", disse o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.
Entidades de direitos humanos, como a "Save the Children", consideram o pacote limitado.
A ação divulgada tem foco no combate aos aliciadores que comandam, a partir da África, o tráfico dessas pessoas pelo mar.
A principal estratégia, por enquanto, seria controlá-los na travessia por meio de uma operação militar do lado europeu do Mediterrâneo.
Combatê-los não é uma tarefa simples porque, para penetrar no esquema ilegal, seria preciso também agir na Líbia, um país em distúrbio político e ponto de origem de 90% desses barcos clandestinos. Suas autoridades alegam que não conseguem controlar a situação. Os líderes europeus prometem um projeto para tentar estabilizar a situação no país.
O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, descartou, por enquanto, uma ação militar na Líbia. "Não há condições de se fazer a paz com intervenção militar. É um risco absolutamente excessivo", afirmou.
RESGATE
Até a noite passada, apenas 28 pessoas e 24 corpos haviam sido resgatados do barco que naufragou na noite de sábado (19), depois de sair do Egito e passar pelo território líbio.
As estimativas iniciais apontam 700 a bordo, mas um sobrevivente de Bangladesh chegou a mencionar 950, número considerado alto pelas autoridades.
O fato é que dificilmente se saberá a quantidade exata porque não há controle sobre quantos partiram da África nem quantos caíram no mar profundo durante a travessia.
Pelo menos 20 navios foram deslocados para o resgate a 70 milhas náuticas da Líbia.
Além da ação militar, o governo italiano tem à mesa a possibilidade de um bloqueio naval para tentar inibir o embarque do continente africano.
O primeiro-ministro Renzi, porém, avalia que não teria efeito porque os traficantes não estão preocupados com a chegada dos imigrantes à Europa, mas somente em despachá-los, em botes e barcos em condições precárias.
A maioria dos passageiros do barco que afundou sábado à noite era da África subsaariana, de países como Eritreia, Somália e Sudão.

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