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Greve dos professores foi decidida em movimento político do dia 13, diz Alckmin

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VENCESLAU BORLINA FILHO
CAMPINAS, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta quarta-feira (25) que a decisão sobre a greve dos professores da rede estadual de ensino ocorreu na manifestação do último dia 13, organizada por centrais sindicais na capital paulista.
Nas palavras do governador, a decisão sobre a greve foi tomada "de maneira intempestiva e dentro de um movimento político, no dia 13 de março, para fazer contraponto com a manifestação do dia 15".
A declaração foi dada em Campinas (a 93 km de São Paulo) após cerimônia de entrega de um helicóptero de resgate da Polícia Militar. Na saída, Alckmin enfrentou protesto de um grupo de professores do Estado. Com camisetas e cartazes, eles cobraram o governador sobre o reajuste salarial. O tucano saiu sem falar com os manifestantes.
A greve iniciada na semana passada busca, entre outras coisas, reajuste de 75% nos salários. O salário-base da categoria é de R$ 2.416 --na jornada de 40 horas para professores do ensino médio.
Ao falar do movimento político, Alckmin afirmou que a greve não tem sentido porque a Secretaria da Educação é aberta ao diálogo. O tucano disse também que não é adequado fazer uma greve oito meses depois do último reajuste.
Procurada pela reportagem, a presidente da Apeoesp (sindicato dos professores do Estado de São Paulo), Maria Izabel Azevedo Noronha, rebateu o governador e negou qualquer envolvimento político-partidário no movimento. "Ele [governador] é que está fazendo essa relação política. Para ele, democracia só foi no dia 15. O dia 13 é como se não existisse. Nosso movimento foi decidido em janeiro na porta da Secretaria da Educação", disse.
A data-base de negociação salarial da categoria é 1º de março, segundo a Apeoesp. O governo do Estado diz que vai abrir as negociações em abril.
A manifestação mencionada por Alckmin teve a participação de movimentos sociais e centrais sindicais, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), que é ligada à Apeoesp, e defendeu, entre outros pontos, o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).
Dois dias depois, no dia 15, outra parcela da população ocupou a avenida Paulista em protesto contra o governo Dilma. Alckmin não participou.
Questionado sobre a declaração e uma possível interferência político-partidária no movimento, o governador afirmou que foi só uma "observação". Nesta terça-feira (24), o secretário de Estado da Educação, Herman Voorwald, disse à Folha de S.Paulo que a greve ocorre "fora de hora" e que ele não vai negociar o reajuste agora.
FALTAS E REIVINDICAÇÕES
Segundo Alckmin, o governo registrou falta de 2,6% dos professores da rede estadual nesta terça, número que considerou normal. O sindicato aponta paralisação acima de 20%. "Não está tendo greve. A verdade é essa. Não há nenhuma razão para a greve. Esse é o último recurso que você utiliza e nem começou a conversa, a negociação ainda", disse o governador.
Alckmin também citou os benefícios concedidos à categoria nos últimos quatro anos. O reajuste, de acordo com Alckmin, foi de 45%, com ganho real de 20%, porque a inflação no período foi de 25%. "Além disso, o piso do professor estadual é 26% maior que o piso nacional", disse.
Para a presidente da Apeoesp, o governador tem de "parar de esconder as deficiências" da educação em São Paulo. "Intempestivas são as ações dele [governador], de fechar 3.300 salas e tirar todo o dinheiro das escolas depois das eleições do ano passado", disse.
Noronha afirmou ainda que é "balela" o que o governador aponta como reajuste dado aos professores nos últimos quatro anos. Segundo ela, o reajuste foi de apenas 27%. O restante a que ele se refere, de 45%, é composto por gratificações que já vinham sendo dadas e foram incorporadas aos salários. "Não teve dinheiro novo", afirmou.
O Estado possui cerca de 5.300 colégios, 230 mil professores e 4 milhões de alunos.

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