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Reitor pede que diretores reabram casos de suspeita de estupro na USP

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MONIQUE OLIVEIRA
SÃO PAULO, SP - O reitor da USP, Marco Antonio Zago, pediu que os diretores da universidade reabram sindicâncias de suspeitas antigas de estupro na instituição que vieram à tona depois de denúncias de abusos sexuais na Faculdade de Medicina da USP.
O pedido foi feito nesta quarta-feira (21) em uma CPI na Assembleia que investiga casos de violações de direitos humanos na universidade.
A comissão não divulgou o número de denúncias que chegaram da USP, mas a reportagem contabiliza ao menos dois casos que foram relatados em audiências públicas e não foram investigados pela universidade.
Uma aluna, que diz ter sido estuprada há doze anos por oito alunos do campus de Piracicaba, e uma aluna que sofreu tentativa de estupro no estacionamento da Faculdade de Arquitetura. Já os casos mencionados da Faculdade de Medicina estão sendo investigados pelo Ministério Público e pela instituição.
"Eu estabeleço aqui o compromisso de pedir para que se reabram sindicâncias de casos que tenham fundamento", diz. "Os diretores das faculdades já estão colaborando."
Em dezembro, uma circular da USP já havia orientado todas as unidades em relação a procedimentos para casos futuros, com aberturas e sindicâncias para investigações.
O reitor disse ainda que a Comissão de Direitos Humanos, recém-criada na universidade, irá coordenar as investigações.
Deputados membros da CPI, contudo, questionaram a morosidade das sindicâncias e questionaram sua credibilidade.
Foi citado um caso da CPI em que uma aluna abusada na Faculdade de Medicina disse que foi coagida em seu depoimento, que não teve acesso ao documento para assiná-lo e que, quando conseguiu ler o seu documento, não era o que havia dito.
"Se isso foi feito, poderá haver demissão do funcionário, mas é um depoimento, alguém que disse que não era aquilo e tudo deve ser apurado", disse o reitor.
Sobre a morosidade, deputados afirmam que, em muitos dos casos, os alunos chegaram a se formar e os casos não foram solucionados.
"Muitas investigações não chegam à polícia porque morrem no seu nascedouro", diz o deputado Adriano Diogo (PT), presidente da CPI.
O professor Marco Akerman, da Faculdade de Saúde Pública, pediu ainda que a comissão de direitos humanos tenham um corpo sensível para ouvir a denúncia. "Essa comissão deve ter coletivos do movimento negro, feministas e um corpo sensível de escuta, para que a vítima seja fortalecida para a denúncia", diz. "Não é só falar que não vai investigar porque não teve denúncia."
ESTUPROS E USP
Apesar de prometer investigações, o reitor dissociou a USP dos casos que, segundo ele, são perpetrados por alguns indivíduos que pela instituição passam.
O reitor disse ainda que alguns estudantes estão sendo criminalizados. Nesse momento, houve uma manifestação de grupos na CPI que pediu punição aos estudantes.
"Não seria saudável generalizar e eu tenho certeza que grande parte dos alunos da universidade são saudáveis e vão trazer grande benefício para a sociedade", disse o reitor.
"A CPI tem um foco, e são os criminosos, aquele criminoso que vai ser médico. A universidade que tanto orgulho nos dá não pode devolver ao Estado de São Paulo um médico criminoso", diz o deputado Marco Aurélio de Souza (PT). "O Estado não merece isso".
"O meu foco principal é a educação e é para isso que o Estado destina recursos para a universidade", diz. "O papel punitivo não é preponderante".
Sobre a estrutura de poder existente em algumas universidades da USP que contribuem para a violência, como a Faculdade de Medicina, citada por professores na CPI, o reitor disse que essa cultura é "histórica de unidades que existiam muito antes da USP."
BALANÇO
O final da audiência foi marcada por uma conversa exaltada entre o presidente da CPI, Adriano Diogo, e o reitor da USP.
"O senhor disse aqui que estamos criminalizando os estudantes, mas eu vou te dizer que foi dessa cultura de trote que saiu o Roger Abdemassih [médico condenado a 278 anos de prisão por 52 estupros e quatro tentativas de abuso a 39 mulheres]."
"Eu não disse isso e o senhor tem que reconhecer que eu, Marco Antonio Zago, estou resolvendo muitos problemas que existem há anos da USP, o senhor pode não gostar de muita gente, mas vai ter que reconhecer isso", diz.
"Eu discordo do senhor que foi uma audiência decepcionante e eu não tenho nada a discordar do que foi falado aqui", disse o reitor.
Ainda, alunos da Faculdade de Medicina, da Faculdade de Direito e da Letras pediram ao reitor mais medidas para a prevenção de abusos na USP, como mais iluminação no campus.
"O dinheiro é limitado, mas iremos tomar as medidas necessárias", respondeu.

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