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Família e amigos pedem justiça em enterro de surfista em SC

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FLORIANÓPOLIS, SC - O corpo do surfista Ricardo dos Santos, 24, morto a tiros por um policial militar, foi enterrado no início da tarde desta quarta-feira (21) em Paulo Lopes (a 52 km de Florianópolis) sob forte clima de comoção e indignação. 

O sepultamento foi acompanhado pela família, por centenas de amigos e por colegas da elite do surfe mundial, como Alejo Muniz e Adriano de Souza, o Mineirinho. 

A cerimônia terminou com uma salva de palmas de mais de cinco minutos e com um coro que pedia justiça. "O surfe brasileiro está de luto" disse a surfista catarinense Jacqueline Silva, que participou do funeral. 

Nesta terça-feira (20), horas após o atleta morrer no Hospital Regional de São José (Grande Florianópolis) devido a uma hemorragia, a família cogitou cremar o corpo de Ricardinho e jogar as cinzas na praia da Guarda do Embaú, em Palhoça (na mesma região), onde o atleta vivia. 

O velório de Ricardinho foi realizado no salão paroquial da Guarda do Embaú. O galpão foi decorado com pranchas de surfe e fotos do atleta. 

Em luto, o comércio local fechou as portas e pôs panos pretos nas fachadas. "Não tem clima [para abrir]. Está todo mundo triste aqui", disse Luciano Pires da Silva, 37, dono de duas pousadas e amigo do surfista. 

A única pracinha da região virou uma espécie de memorial, com flores e placas em homenagem ao surfista e pedidos de justiça. Na praia, onde o atleta começou a surfar aos sete anos de idade, também foram colocados cartazes. 

"Está todo mundo chocado com o que aconteceu. O Ricardinho era muito querido aqui", disse Barbara Moran, 22, moradora da comunidade. 

A Guarda do Embaú é uma vila de pescadores do município de Palhoça. Fica praticamente vazia no inverno, mas no verão é procurada por milhares de turistas. O prefeito da cidade, Camilo Martins, decretou luto oficial de três dias. 


MAU EXEMPLO 

Por causa da repercussão do caso, o comandante de Polícia Militar em Santa Catarina fez um pronunciamento no qual classificou de "mau exemplo" a atitude do soldado Luis Paulo Mota Brentano, 25, autor dos disparos.

"Isso é uma coisa que não poderia acontecer", declarou o coronel Paulo Henrique Hemm. 

Brentano está detido no quartel da corporação em Joinville (a 170 km de Florianópolis), onde trabalha. Ele passava férias na praia. 

O delegado Marcelo Arruda, responsável pelo caso, disse que Brentano será indiciado sob suspeita de homicídio doloso qualificado. 

De acordo com Arruda, Ricardinho foi baleado por volta de 8h de segunda (19) após discutir com o soldado em frente à sua casa. Segundo o delegado, a família afirma que o militar estava usando drogas e havia parado o veículo sobre canos de água usados em uma obra na residência. O surfista teria reclamado e sido baleado em seguida. 

Na versão do policial, apresentada em depoimento na segunda-feira, o surfista o abordou com agressividade e o ameaçou com um facão, levando-o a atirar para se defender. 

O advogado do militar, Gilson Shelbauer, disse que seu cliente se sentiu acuado pelo surfista e atirou. "Ele atirou para cima, não para acertar."




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