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Espanha ainda tem protestos após proibição pré-eleitoral

Da Redação ·
Jovens espanhóis furiosos com o alto índice de desemprego mantiveram os protestos hoje, que já duram uma semana, a apenas um dia das eleições regionais no país e que podem abalar o partido socialista do governo do primeiro-ministro José Luiz Rodriguez Zapatero. "Pretendemos continuar, porque não se trata das eleições, mas dos cortes sociais", disse Carmen Sanchez, porta-voz dos organizadores do protesto "village", que se espalhou pela praça Puerta del Sol em Madri. Milhares de pessoas aglomeravam-se no centro de várias cidades do país, em um movimento iniciado em 15 de maio e já é o maior protesto espontâneo desde a crise financeira e econômica de 2008, que colocou o país em recessão e da qual a Espanha saiu apenas este ano. A comissão eleitoral espanhola declarou quinta-feira que os protestos planejados para hoje e para amanhã são ilegais e que vão além do direito constitucional de protesto. Pela lei, este sábado seria um "dia de reflexão", diante das eleições regionais e municipais de amanhã, sendo proibido qualquer atividades políticas. Mas o governo do Partido Socialista, que enfrenta dificuldades nas eleições de amanhã, evitou ordenar a intervenção policial. "O governo não deu ordem (para evacuação)" e "assim será desde que não haja tumulto ou crime", disse uma fonte do Ministério do Interior da Espanha. Sob o slogan "Democracia Real Agora", os manifestantes, popularmente conhecidos como M-15, condenam o desemprego, a crise econômica, os políticos de modo geral, a corrupção e as medidas de austeridade do governo. Ao dar início ao protesto deste final de semana, cerca de 25 mil pessoas fizeram um breve momento de silêncio na praça Puerta del Sol no final da sexta-feira, com as mãos para o alto e muitos com fitas adesivas coladas nos lábios. Em seguida, a multidão começou a assobiar e dar gritos de alegria com o início das 48 horas em que as atividades políticas pré-votação são proibidas. "Agora somos todos ilegais", gritavam os manifestantes. "De Tahrir a Madri, para o mundo, revolução mundial", dizia um dos cartazes dos manifestantes em Madri, em referência a praça Tahrir, no Cairo, foco das manifestações que tiraram do poder o presidente egípcio no começo do ano. Os manifestantes acamparam na praça Puerta del Sol, dividindo o acampamento em "zonas", que incluem cozinha, farmácia, biblioteca, workshop e área para crianças. A desempregada Thais Ribera, de 23 anos, disse ter viajado da região nordeste de Galicia na quinta-feira para Madri. "Estou aqui porque tudo tem de mudar, não somente na Espanha, mas na Europa", disse. "Quando eu tiver uma criança quero ser capaz de olhá-la nos olhos", disse Thais, que pretende votar em branco amanhã já que "não tem escolha". Zapatero tem demonstrado simpatia aos manifestantes, dizendo que reagem ao desemprego e a crise econômica de maneira pacífica. A taxa de desemprego na Espanha disparou para 21,19% no primeiro trimestre, a mais elevada no mundo industrializado. Para os jovens com idade inferior a 25, a taxa de desemprego subiu para 44,6% em fevereiro. Mesmo antes dos protestos, as pesquisas de opinião mostravam grande perda para o Partido Socialista, de Zapatero. Mais de 34 milhões de pessoas têm direito a votar amanhã para escolher 8.116 prefeitos, 68.400 conselheiros municipais e 824 membros de parlamentos regionais de 13 das 17 regiões semiautônomas. As pesquisas apontam que o Partido Socialista perderá o controle de cidades como Barcelona e Sevilha e da região de Castilla-La Mancha. As informações são da Dow Jones.
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