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Pais choram em caminhada um mês após massacre

Da Redação ·
 Passeata para lembrar vítimas de Realengo teve balões e camisetas com fotos das vítimas
fonte: Futura Press
Passeata para lembrar vítimas de Realengo teve balões e camisetas com fotos das vítimas

Cerca de 200 pessoas participaram de uma caminhada em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, para lembrar a morte de 12 alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, que hoje completa um mês. Emocionados, professores, pais e amigos das vítimas do massacre dividiram a dor da perda das crianças. "Triste, né? Para mim, a cada dia que passa parece que fica mais difícil, pior. Quando passo em frente à escola, eu sinto que ele ainda está lá dentro. Penso nele em todas as horas", disse, chorando, Ines Morais da Silva, 47 anos, mãe de Igor, 13 anos, morto na tragédia.

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Os familiares das vítimas se reuniram em frente à escola por volta das 9h. Antes da caminhada, os pais estenderam um varal com 12 camisetas, cada uma com a foto de uma das vítimas do atirador Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos. Os rostos das crianças também estampavam balões coloridos que os pais levavam em suas mãos. O grupo distribuiu rosas brancas para quem acompanhava a caminhada.

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Ana Luiza Pacheco da Silva, 43 anos, era uma das mais emocionadas. A mulher diz pedir forças a Deus para enfrentar seu primeiro Dia das Mães sem a filha Ana Carolina Pacheco, 15 anos, morta no ataque. "Choro todo dia pela manhã. No Dia das Mães, vou ficar com meus outros quatro filhos. Eles me dão forças para continuar. Hoje é o dia de lembrar algo que jamais eu vou esquecer. Estamos aqui para dizer que Realengo tem amor, tem carinho, tem amizade", disse.

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Sueli Guedes, 47 anos, disse que o momento agora é de mobilização. Segundo ela, os pais das 12 vítima da tragédia do dia 7 de abril vão fundar uma associação, chamada "Anjos de Realengo". A mulher prevê novas manifestações no futuro, com o objetivo de evitar que o massacre se repita. "Vamos criar uma associação para as escolas, tanto da rede municipal quanto estadual. Queremos auxiliar para que Realengo não aconteça mais, para que não fique assim e não caia no esquecimento. Todos os meses, vamos colocar a cara na rua", afirmou. Na camiseta que vestia, Sueli levava a foto da filha Jéssica, 15 anos, e a frase "quando a dor não cabe no peito, transborda pelos olhos".

Antes da caminhada, os manifestantes assistiram à execução do Hino Nacional e pombos brancos foram soltos, representando a paz. Embalado por músicas religiosas, o grupo seguiu o trajeto que começou na rua General Bernardino de Matos e passou pelas ruas Carumbé, Capitão Teixeira e Piraquara até chegar na avenida Santa Cruz, de onde se dirigiram à Igreja Presbiteriana, onde será realizado um culto reservado apenas às famílias das vítimas. Os cerca de 200 participantes da manifestação foram acompanhados por 12 carros, além de viaturas da CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego), da Guarda Municipal e da Polícia Militar.

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Ainda hoje, o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, vai celebrar na Igreja Cristo Libertador, em Realengo, a missa de um mês da morte das vítimas do ataque á Escola Municipal Tasso da Silveira. No dia 27, os pais devem se reunir com o prefeito Eduardo Paes para que ele possa ouvir suas reivindicações sobre a segurança na escola e no entorno.

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Atentado
Um homem matou pelo menos 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril de 2011. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e se suicidou logo após o atentado. Segundo a polícia, o atirador portava duas armas e utilizava dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.

Wellington entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Em uma carta encontrada com ele, Wellington pediu perdão a Deus e deixou instruções para o próprio enterro - entre elas que nenhuma pessoa "impura" tocasse seu corpo.

Dias depois, a polícia divulgou fotos e vídeos em que o atirador aparece se preparando para o ataque durante meses. Em um deles, Wellington justificou o massacre por ter sido vítima de "bullying" praticado por "cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade, da inocência, da fraqueza de pessoas incapazes de se defenderem". Na casa dele, foram encontradas diversas anotações que mostraram uma fixação pelos ataques de 11 de setembro de 2001. O atirador acabou enterrado como indigente 15 dias após o massacre, já que nenhum familiar foi ao Instituto Médico Legal (IML) liberar o corpo.