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Gaúcha cria grife de véus islâmicos e ensina como usar modelos

Da Redação ·
 Gaúcha cria grife de véus islâmicos e ensina como usar modelos
fonte: Divulgação
Gaúcha cria grife de véus islâmicos e ensina como usar modelos

Falastin Zarruk é uma das únicas mulheres de Canoas, no Rio Grande do Sul, que usa o véu muçulmano - o hijab. Além de ter de lidar com as caras de surpresa - e às vezes de indignação - nas ruas, ela tinha, até pouco tempo atrás, outra dificuldade: encontrar o hijab para comprar. "Trazia roupas quando saía do Brasil, mas aqui não achava as medidas apropriadas. Na mesquita que frequento, em Porto Alegre, via que outras mulheres também tinham a mesma dificuldade", conta a jovem, que inevitavelmente atrai olhares por onde anda, mesmo na recepção de um pequeno hotel do centro de São Paulo.

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Falastin já tinha feito um trabalho final para o curso técnico de moda sobre vestimenta para muçulmanas. "Queria fazer moda islâmica, mas não de um jeito escrachado", conta. A esse estudo, ela aliou a experiência de ter vivido três "dos melhores anos de sua vida" na Cisjordânia, onde desenvolveu o design gráfico e aprendeu sobre a sociologia do mundo árabe. O resultado disso tudo veio em 2010, com o blog FayHejab, onde Falastin começou a dar dicas de como usar o véu, em vídeos e textos.

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"A ideia era ser uma conversa feminina numa mesquita", mas a iniciativa cresceu e Falastin começou a receber emails de mulheres querendo comprar suas roupas. "Eu dizia: mas esses eu não vendo, gente!". Foi aí que ela percebeu que havia um nicho grande de mercado e criou a Fay.Z. Na primeira coleção, lançada em janeiro, ela vendeu todas as peças (entre 60 e 80 modelos) em um mês.

A proposta da marca é ousar nas cores e tecidos, sem exagerar no brilho. A coleção seguinte teve acessórios como terços islâmicos e alfinetes (usados para fixar o véu) e as novas peças incluem uma linha infantil para meninas: "São macaquinhos, um kit de reza e camisetinhas". A Fay.Z vende pela internet e tem saída de ao menos 30 peças por semana. Os véus custam entre R$ 16 e R$ 25.

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'Para agradar a Deus' Falastin não nasceu numa família de tradição muito religiosa. O pai, palestino, e a mãe, descendente de italianos e hoje convertida ao islamismo, a deixaram livre para escolher a religião. Aos 15 anos, ela conta que começou a se interessar pelo tema e estudou diversas doutrinas, se interessando pela muçulmana. Quando estava na Cisjordânia, Falastin decidiu colocar o véu. "Comecei a usar por respeito à cultura. Hoje uso para agradar a Deus, porque eu quero. Acho que é uma opção, uma liberdade de escolha". Mas não é fácil ser uma das únicas da cidade a andar com o cabelo e colo cobertos.

"Conheço mais três mulheres que andam cobertas em Canoas. Já me pararam na rua para perguntar se eu tinha câncer, se eu não tinha orelha, se era careca. Quando fui renovar a minha carteira de identidade, não queriam me deixar tirar a foto de véu. Insisti e só deixaram depois que ligaram para outra cidade, na central, onde disseram que podia. No aeroporto tenho sempre minha mala parada e revistada separadamente. Usar o hijab é bem complicado."