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EUA: não há prova de que Paquistão ajudou Bin Laden

Da Redação ·
Michele Flournoy, alta funcionária do Pentágono, declarou hoje que os Estados Unidos não têm "evidências concretas" de que o Paquistão sabia que Osama bin Laden estava vivendo na fortaleza onde foi morto, mas que agora os paquistaneses devem mostrar seu comprometimento de forma convincente para derrotar a rede terrorista da Al-Qaeda. Michele é a principal assessora de política do secretário da Defesa, Robert Gates, e também disse que o governo paquistanês deveria, por exemplo, ajudar os EUA a explorarem o material coletado na mansão onde Bin Laden estava durante o ataque. Ela foi a primeira oficial do Pentágono a comentar publicamente a operação. Apesar de não dar novos detalhes sobre o assunto, Michele disse que a morte de Bin Laden representou "um golpe muito forte" para a Al-Qaeda e dá uma chance ao Paquistão de cooperar com a derrota da rede terrorista. "É um momento de oportunidades reais para nós em termos de ganhos futuros contra a Al-Qaeda". As questões sobre se o Paquistão sabia do paradeiro de Bin Laden e até se o ajudou a se esconder foram levantadas imediatamente depois do ataque de domingo. Michele disse que os funcionários americanos pressionaram o Paquistão por mais detalhes sobre o assunto. "Ainda estamos conversando com os paquistaneses e tentando entender o que eles sabiam. Não temos nenhuma evidência até agora de que eles sabiam que Osama bin Laden estava na casa". O Paquistão deve dar "passos muito concretos e visíveis para mostrar sua cooperação como um parceiro antiterrorismo", disse Michele, "porque eu acho que o Congresso tem que se convencer a sustentar a assistência tanto civil quanto militar ao país". Ela ainda acrescentou que a administração Obama pretende manter uma relação estreita com o Paquistão. Ela afirmou que todas dúvidas sobre a morte de Bin Laden serão extintas, mesmo sem que os Estados Unidos divulguem a foto do corpo. "Com o tempo, se tornará evidente - indubitavelmente evidente. Acho que a Al-Qaeda reconhecerá que é a verdade e fará mudanças em sua liderança refletindo essa verdade", afirmou. "As mesmas pessoas que duvidam que ele esteja morto hoje provavelmente olhariam para a foto e duvidariam que é real". Em Islamabad, o exército paquistanês pediu hoje a redução do número de soldados americanos no país e ameaçou cortar cooperação com Washington caso os Estados Unidos realizem mais ataques unilaterais em seu território. Um pequeno número de soldados americanos está treinando as forças paquistanesas em operações de contrainsurgência. Congresso O senador republicano Richard Lugar, defensor da ajuda americana ao Paquistão, disse hoje que seria autodestrutivo desistir dessa relação. "Não seria inteligente nos distanciarmos do Paquistão, além do que seria extremamente perigoso", declarou em uma audiência do Comitê de Relações Exteriores. "Isso enfraqueceria nossa coleta de informações, limitaria nossa habilidade de prever conflitos entre Índia e Paquistão, complicaria operações militares posteriores no Afeganistão, acabaria com a cooperação para encontrar terroristas e eliminaria o engajamento com Islamabad sobre a segurança de suas armas nucleares". O líder e orador da Câmara, o republicano John Boehner, expressou a mesma visão. "Não é hora de voltar do Paquistão", disse. "Francamente, acredito que nossa ajuda deveria continuar". As informações são da Associated Press.
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