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Kadafi pede o fim da 'ofensiva bárbara' contra a Líbia

Da Redação ·
O governante líbio, Muamar Kadafi, pediu o fim da "ofensiva bárbara" contra a Líbia, em uma carta enviada às potências internacionais, que se reúnem hoje em Londres para discutir o futuro da nação. Na carta, enviada aos países que pretendem discutir o futuro da Líbia após a eventual queda de Kadafi, o governante vinculou os ataques aéreos atuais aos lançados por Adolf Hitler na Segunda Guerra. "Parem sua ofensiva bárbara e injusta na Líbia", disse Kadafi, na carta divulgada pela agência de notícias estatal Jana. "Deixem a Líbia para os líbios. Vocês estão cometendo genocídio contra um povo pacífico e uma nação em desenvolvimento. Parece que vocês na Europa e na América não percebem a ofensiva infernal, bárbara, que se compara às campanhas de Hitler quando ele invadiu a Europa e bombardeou a Grã-Bretanha", afirma o texto. A campanha internacional foi lançada em 19 de março por França, Reino Unido e Estados Unidos. A intenção era garantir a existência de uma zona de exclusão aérea no país, para proteger os civis dos ataques das forças de Kadafi. A ação internacional é feita com o respaldo de uma resolução do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Representantes de mais de 35 países, incluindo sete Estados árabes, reúnem-se hoje em Londres para discutir a Líbia. Um comunicado da presidência francesa diz que há um acordo para que o diálogo trate da "transição política na Líbia". Em sua carta, Kadafi diz que aceitará "qualquer decisão tomada pela União Africana". Uma delegação líbia foi na sexta-feira até Adis-Abeba, na Etiópia, para dialogar com a União Africana. A delegação afirmou que está disposta a seguir os passos recomendados por essa entidade para resolver a crise líbia, mas também exigia o fim dos ataques aéreos. As recomendações da União Africana incluem o fim de todos os confrontos, cooperação para a ajuda humanitária e a proteção de estrangeiros. A entidade é contrária a intervenções estrangeiras nos países da região. "Como vocês podem atacar aqueles que combatem a Al-Qaeda?", questionou Kadafi em sua carta às potências. O líder líbio várias vezes acusou a rede terrorista de estar por trás do levante contra seu governo. Confrontos Na Líbia, forças leais a Kadafi avançaram hoje sobre a área controlada pelos rebeldes, levando-os a recuar até Nofilia, cidade a cem quilômetros de Sirta, informaram correspondentes da France Presse. Sirta, cidade onde Kadafi nasceu, é o próximo grande alvo dos rebeldes que buscam derrubar Kadafi, após avançar para oeste até Trípoli. Os rebeldes foram derrotados ontem por forças de Kadafi na vila de Harawa, a 60 quilômetros de Sirta. Hoje, as forças de Kadafi obtiveram mais avanços, fazendo com que os rebeldes recuassem até Nofilia. Vários rebeldes disseram que pretendem esperar "os planos de Sarkozy para atacar" antes de avançar, uma referência aos planos de ataques aéreos do governo francês do presidente Nicolas Sarkozy. Os ataques ocidentais ajudaram os rebeldes, que tomaram no sábado a estratégica cidade de Ajdabiya. Hoje, forças leais a Kadafi avançaram sobre Misurata, utilizando tanques e disparando para tentar retomar a terceira maior cidade do país, informou um porta-voz dos rebeldes. Misurata fica 214 quilômetros a leste de Trípoli. Uma autoridade médica afirmou que mais de 140 pessoas morreram em Misurata por causa dos confrontos desde 18 de março. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, reuniu-se hoje em Londres com um líder da oposição da Líbia, Mahmoud Jibril, que cuida das Relações Exteriores do Conselho Nacional de Transição. Os EUA pretendem enviar um representante para Benghazi, principal cidade controlada pelos rebeldes, segundo funcionários. O governo britânico confirmou que figuras da oposição da Líbia foram convidados a ir a Londres, mas elas não participarão da reunião de hoje sobre o futuro do país do norte da África. As informações são da Dow Jones.
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