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Mercosul faz 20 anos sem comemorar

Da Redação ·
"Tomaram a rara resolução de ser razoáveis. Resolveram esquecer as diferenças e intensificar as afinidades." A frase, no poema Os Conjurados, do escritor argentino Jorge Luis Borges, referia-se à formação da Confederação Suíça. Mas poderia ser também aplicada à criação no dia 26 de março de 1991 do Mercado Comum do Sul, ou Mercosul, bloco comercial formado por Brasil , Argentina, Uruguai e Paraguai. Na primeira década, o otimismo sobre a integração era intenso e - além de uma liberação total do comércio intrazona - planejava-se um Parlamento regional com amplas atribuições eleito pelo voto direto. Até sindicatos dos quatro países avaliavam greves conjuntas. "Eram tempos nos quais falava-se em projetos como unidades militares combinadas entre os países, moeda e passaportes únicos e embaixadas conjuntas. Mas essas coisas não foram concretizadas", disse ao Estado o analista Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nueva Mayoría. Mas, depois de 20 anos, as diferenças floresceram e atrasaram a integração. As exportações totais do Mercosul no período passaram de US$ 46 bilhões (dos quais, intrazona, 9%) em 1999 para US$ 280,4 bilhões em 2010 (intrazona, 15,7%). No entanto, paralelamente ao crescimento comercial, as medidas protecionistas entre os sócios do Mercosul tornaram-se frequentes, gerando momentos críticos nos quais corriam rumores do iminente fim do bloco. O bloco também favoreceu a transnacionalização de empresas brasileiras e argentinas e o desenvolvimento do agronegócio e de diversos setores industriais em ambos lados da fronteira. Ainda assinou acordos de livre comércio com Israel, além de tratados de preferências fixas com Índia e África do Sul. Além disso, mantém negociações, embora atravancadas, com a União Europeia. No âmbito democrático, o Mercosul foi crucial em 1999 e 2000 para impedir golpes de Estado no Paraguai. Pequenos Enquanto os sócios grandes (Brasil e Argentina) engalfinham-se com frequência em conflitos comerciais, os pequenos (Paraguai e Uruguai) reclamam das barreiras dos vizinhos. "O entusiasmo com o Mercosul oscilou muito ao longo desses 20 anos", afirmou o cientista político uruguaio Adolfo Garcé, do Instituto de Ciência Política da Faculdade de Ciências Sociais de Montevidéu. "Os uruguaios passaram do otimismo ao ceticismo. Em meados desta década, muitos queriam passar por cima do Mercosul e fazer um acordo de livre comércio com os EUA. Atualmente, consideram que o Mercosul pode valer a pena pelo Brasil, país com crescimento sustentável. E menos pela Argentina, país marcado pela instabilidade crônica." Calcanhar de Aquiles A entrada da Venezuela como sócio pleno do Mercosul é um dos debates que agitam o bloco. Em 2004, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu para fazer parte do grupo. Nos anos seguintes, Argentina, Brasil e Uruguai aprovaram a entrada do país. Mas, sua aprovação final está pendente no Senado do Paraguai, que há dois anos adia a votação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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