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Após protestos, Síria demite governador provincial

Da Redação ·
As manifestações por democracia chegaram ao sul da Síria hoje, quando centenas de pessoas marcharam para exigir reformas numa vila até então calma. Numa cidade próxima, tropas e manifestantes se enfrentaram do lado de fora de uma mesquita onde os manifestantes se abrigavam. O governo tentou conter o primeiro exemplo sério de levante político no país demitindo o governador da província de Deraa, no sul, onde forças de segurança mataram sete manifestantes no fim de semana. A saída do governador não foi suficiente para conter a ira popular e os protestos chegaram à vila de Nawa, onde centenas de pessoas marcharam exigindo reformas, relatou um ativista à Associated Press. O ativista disse que tropas estavam tentando chegar à mesquita no centro histórico de Deraa, onde manifestantes buscaram proteção. Ele afirmou que os manifestantes colocaram grandes pedras nas ruas próximas à mesquita de al-Omari para impedir a passagem dos soldados. Segundo testemunhas, havia forte presença de agentes de segurança e a maioria das lojas estava fechada. Imagens postadas no YouTube mostram centenas de moradores em Sanamein, perto de Deraa, gritando "Liberdade!", enquanto outro vídeo mostra dezenas de pessoas reunidas no bairro de Hajar Aswad, na capital provincial. A autenticidade das imagens não pôde ser comprovada. Ontem, os protestos se espalharam pelas cidades de Jasim e Inkhil, perto de Deraa, informaram testemunhas. O governador provincial Faisal Kalthoum demitido foi hoje, segundo um funcionário sírio, que falou em condição de anonimato. Moradores de Deraa acusam Kalthoum, que está no cargo desde 2006, de corrupção e durante os protestos de ontem muitos gritavam "o povo quer derrubar o governador". A Organização Nacional para os Direitos Humanos na Síria, sediada em Damasco, disse que autoridades continuam a realizar "prisões arbitrárias e aleatórias" em áreas onde ocorreram protestos e informou também que familiares dos detidos disseram que nenhum dos presos foi libertado. Em Genebra, o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu à Síria que investigasse a morte de manifestantes em Deraa. Rupert Colville, porta-voz do escritório, disse que manifestantes têm o direito de expressarem suas queixas e serem ouvidos pelo governo. As informações são da Associated Press.
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